domingo, 14 de abril de 2013

Bases do Casamento Cristão




O cristão precisa compreender a instrução divina quanto ao casamento e aplicá-la como base à sua vida diária. Entender que querer casar deve ser uma decisão resultante do amor sincero, pois estar casado é entrar no relacionamento mais íntimo que podemos viver aqui na Terra.


"Venerado entre todos seja o matrimônio e o leito sem mácula" - Hebreus 13.4.




O que Deus uniu.

Adão e Eva não tiveram pais e sogros. Assim sendo, todos os recém-casados devem buscar a independência emocional e financeira de seus pais, estabelecerem núcleo familiar independente, como se não tivessem pais e sogros também. Trata-se de uma separação paterna no sentido de procurar resolver os problemas entre si e crescer juntos em intimidade e união, não é esquecer-se dos pais e desrespeitá-los.


Apesar de o pecado do ser humano interferir no plano de Deus para o casamento, a Bíblia dá diretrizes para um casamento feliz, estável, tranqüilo. Todas as passagens bíblicas sobre o tema enfatizam o valor espiritual do casamento, é ensinado que ele deve ser respeitado, honrado e valorizado. O Senhor sempre quis que tanto o homem quanto a mulher se realizassem juntos, criou um relacionamento de total comunhão em que ambos pudessem viver harmoniosamente, desfrutando o amor e companheirismo mútuos com total intimidade.
Logo no princípio, Deus ordenou que o homem deixasse pai e mãe e unisse à sua mulher, para que ambos fosse "uma só carne." O marido torna-se uma só carne com sua esposa durante o ato conjugal (Efésios 5.31). Tal determinação é a expressão da vontade de Deus para todas as pessoas, ao crente e ao descrente.
O matrimônio é o plano da base familiar em âmbito global. Adão e Eva não escondiam nada entre eles, viviam nus um diante do outro e não se envergonhavam disso. A intimidade sexual é natural no sentido em que o Criador a estabeleceu. Dentro do casamento, a união sexual saudável e prazerosa não acontece apenas por alguns momentos, mas por toda a vida do casal. O sexo foi criado para ser desfrutado com muito prazer e para a procriação do casal no casamento. Deus quer que a humanidade cresça, e através da união legítima entre um homem e uma mulher, multiplique-se. Confira: Gênesis 2.24, 25.


O amor do marido pela esposa.

O casamento deve ser considerado a principal responsabilidade do homem, ele deve lidar com a relação conjugal pela perspectiva equilibrada, evitando tanto a atitude promíscua quanto um ascetismo rígido.

A Bíblia recomenda solenemente: "Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela." - Efésios 5.25. O verdadeiro padrão do amor do esposo para a esposa é o de Cristo para com a Igreja. Observe o advérbio "como", é um termo que denota modo e sugere comparação. O amor do esposo deve ser tal qual o sublime e corajoso tal qual o amor de Cristo por sua igreja. O marido que não ama a sua esposa desobedece a Palavra de Deus.

O amor do marido pela esposa, ordenado pelas Escrituras, deve ser o mais elevado possível. A Bíblia ensina que o marido deve honrar sua esposa:"Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações." - 1 Pedro 3.7. A insensibilidade do marido faz com que ele perca muito espiritualmente. Infelizmente, nem todos os maridos prestam atenção na necessidade da esposa. Pedro recomenda a eles que expressem amor cuidando dela com respeito, delicadeza e dignidade. Se o marido não consegue manter uma comunicação eficaz com a esposa e filhos sua linha de comunicação com Deus também é interrompida.



O amor de mãe pelos filhos e o marido.

"Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e aos filhos" - Tito 2.3-4.

Uma placa interessante escrita por mulher: "Meu lar é limpo e organizado para minha família ser saudável, mas às vezes também está bagunçado para que ela seja sempre feliz." Tais dizeres têm sabedoria, porque a esposa e mãe não pode se tornar escrava de seu lar. Uma casa alegre tem seus momentos de brinquedos espalhados pelo chão, instantes da bicicleta atrapalhando uma passagem, o tempo das tarefas escolares de filhos sobre a mesa de jantar. A dona de casa não deve estar disposta apenas às realizações das tarefas domésticas, tem que querer envolver-se e divertir-se com o marido e os filhos em casa e em passeios e ou quaisquer outras atividades em família.




A reverencia da mulher ao marido.

“E a esposa respeite ao marido” - Efésios 5.33 b. A esposa precisa apostar nas características positivas do homem que está ao seu lado como marido. A Bíblia Sagrada não sugere que a esposa seja bajuladora ou minta para o esposo. Pede que concentre atenção e destaque para as outras pessoas os traços positivos que ele possui. O apóstolo Paulo nos ensina a focalizar a atenção naquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, amável e de boa fama (Filipenses 4.8). Em obediência ao texto bíblico, a esposa precisa manter sua atenção nos pontos positivos e ressaltá-los diante dos filhos, dos seus familiares e amigos.



O casamento resguarda da prostituição.

“Mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” - 1 Coríntios 7.2.


Entre marido e esposa é preciso haver conscientização da importância do amor mútuo e verdadeiro para estabelecer uma família. O casamento cristão tem de ser edificado tendo como base o amor a Deus e ao próximo. Sem amor não há casamento feliz. Os cristãos precisam prezar pela santidade do sexo, estabelecer a pureza em seu coração. Aprender as disciplinas da saudade, da solidão, da confiança e do total compromisso com Cristo – um compromisso que não é guiado pelo sentimento superficial da paixão, mas que preza pela pureza.

As Escrituras contêm firmes admoestações acerca da abstinência do adultério e da fornicação. Paulo fez menção especial aos pecados relacionados ao corpo. Ele claramente afirmou que o corpo do cristão é o seu templo de Deus e pertence ao Senhor (1 Coríntios 3.16; 6.19).

Através do profeta Malaquias, o Senhor repreendeu com dureza os esposos israelitas por serem infiéis à sua mulher (Malaquias 2.13-16). A fidelidade conjugal é indispensável para a estabilidade do casamento. Além de proporcionar segurança espiritual e emocional, coopera ao bom relacionamento conjugal. Sem fidelidade o relacionamento desaba. O laço matrimonial não suporta a infidelidade, o adultério é devastador para o homem e para a mulher (1 Coríntios 6.15-20).




O casal precisa ter união de pensamentos, de sentimentos e de propósitos.


Marido e mulher são iguais nas posses de um para com o outro. O marido deve estar unido à esposa de modo a formar uma unidade, e de igual maneira a mulher ao esposo.

Paulo ensina sobre igualdade e reciprocidade: "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido” (1 Coríntios 7.3). O verbo "pague' (apodidomi" em grego), significa dar o que está sob obrigação, aquilo que se deve.

“A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” - 1 Coríntios 7.4. As palavras "não têm poder" refere-se ao uso de autoridade. No leito conjugal homem e mulher devem estar submissos ao outro. Deve haver entendimento mútuo entre maridos e esposas, pois existe direito legítimo à pessoa do outro, ambos têm o mesmo poder.



O casamento na sociedade pós-moderna. 

O casamento não é um contrato com prazo de validade, é uma aliança perene que atende os propósitos divinos, não é de se admirar que venha sendo ridicularizado sistemática e violentamente pela mídia. O modelo que se vê nos filmes, novelas e revistas seculares nem sempre preenche os requisitos das Escrituras Sagradas para o casamento. Confronta o valor do matrimônio por apresentar atitudes negligentes em relação ao sexo, por promover "configurações familiares" sem pureza moral e diferente do que Deus criou. Este modelo é defendido e praticado apenas por pessoas que debocham e desprezam os princípios bíblicos.


A Igreja deve fazer soar a sua voz profética, denunciando tudo que ameaça o casamento monogâmico e heterossexual. Promover o crescimento das crianças, jovens e casais, segundo a orientação da Palavra de Deus, para que a família seja edificada em Cristo.



O sexo e os solteiros.


O sexo antes e fora do casamento é pecado (Êxodo 20.14; 1 Tessalonicenses 4.3).


A virgindade, tanto do rapaz quanto da moça, é sempre importante aos olhos de Deus. A santidade é um requisito básico para a felicidade conjugal, se o namoro ou noivado é marcado por atos e práticas que ofendem a Deus, caminha ao fracasso matrimonial (1 Coríntios 6.18-20). Se você entregou sua virgindade, a mensagem do Evangelho anuncia o novo nascimento, novo começo e nova criação. Busque a santificação (2 Coríntios 5.17; 1 João 1.9).

Os namorados devem vencer a forte tentação da atração física, porque este é o ideal de Deus. A paixão deve ser dominada pelo princípio do amor, não simplesmente um sentimento erótico, romântico ou sexual. Um relacionamento que desconsidera o conceito da castidade está fora da orientação divina à pureza antes do casamento consiste em nos dar pelo e para o outro em obediência a Deus.




Conclusão

Enfim, o casamento é uma instituição criada por Deus e tem o objetivo de ser à base da família e também de toda a sociedade. 1 Coríntios 7 é um tratado a respeito do matrimônio e do relacionamento familiar. O capítulo mostra que o casamento não está e jamais estará ultrapassado. Aborda o relacionamento conjugal entre o marido e sua esposa (versículos 1-6); sobre os solteiros (versículos 8, 9, e 25); sobre o casamento cristão e o misto; o casamento e o serviço cristão (12 ao 16; 25 ao 38).



E.A.G
Uniao de Blogueiros Evangelico​s (mail@ubeblogs.com.br)



quarta-feira, 10 de abril de 2013

CONHECENDO A JESUS SEGUNDO A CARNE!

 
 

 
O apóstolo Paulo disse que algum dia ele conheceu a Jesus “segundo a carne”, já agora “não o conhecia desse modo”.


Essa declaração é muito mais importante do que se pode imaginar. Primeiro porque ela nos diz que há um conhecimento de Jesus que é apenas fruto da observação histórica. Nesse caso, crê-se que Jesus é um fato histórico, e que por ser histórico, merece ser objeto da fé; já que não há nada e nem ninguém que tenham trazido a fé para o plano da “prova real e objetiva”, pelos próprios milagres que realizou, mostrando ter total domínio sobre os poderes do absurdo.


Assim, sendo Histórico, Jesus pode ser crido; visto que provou a Si mesmo como objeto incomparável de fé.


Esta é viagem da teologia e da maioria dos doutores da religião, bem como de todas as racionalizações apologéticas acerca de Jesus.


Ele existiu, logo, eu creio!



Em segundo lugar, a afirmação de Paulo é superimportante porque ele diz que há um outro modo de conhecer a Jesus, e que para ele era o único que satisfazia.


“Já agora não o conhecemos deste modo”—ou seja, “segundo a cerne.”

Ora, Paulo diz que conhecer Jesus desse outro modo é o caminho da transformação do ser, de glória em glória, até que a imagem de Deus em Cristo comece a se fazer refletir em nós e a partir de nós...


E mais: Paulo nos diz que esse é o caminho dos que caminham constrangidos pelo amor de Cristo, e são os que conheceram a Jesus como revelação do Espírito, e em total subjetividade.


Estranho. Jesus é histórico, porém a história em nada nos ajuda a crer em Jesus. Na história Jesus é um objeto da fé, na melhor das hipóteses; ao mesmo tempo em que a História não conduz ninguém ao conhecimento de Cristo pela fé.


Aqui está algo para se pensar. Jesus foi histórico, mas não é a História que nos leva a crer Nele.


É obvio que Jesus foi histórico. No entanto, Ele se fez conhecer como Verbo Encarnado não pela objetividade da História, mas pela subjetividade da Revelação.


É por isto que sábios e entendidos não podiam “vê-Lo” apesar de estarem presentes na História.


Se a História tivesse o poder de “provar a divindade de Jesus” todos os que O viram teriam que admiti-Lo do mesmo modo como a humanidade inteira admite o Sol. Mas não foi assim... e nem é assim.


De fato, a história de Jesus dividiu a História sem ser objeto de analise histórica, visto que foi pela Palavra do Testemunho dos discípulos que a realidade de Jesus se constituiu para todos nós, e para eles também.


Toda a história de Jesus se baseia no testemunho da Palavra. Assim, o Jesus Histórico não tem “em si” o poder de “provar” a si-mesmo apenas porque sua existência é inegável.


“Conhecer a Jesus segundo a carne” não revela a Jesus para o coração.


De fato, nossa viagem continua a ser como a dos primeiros discípulos, aqueles dos evangelhos, visto que não foi a História que lhes revelou “Deus em Cristo”, mas sim a Revelação do Pai, e isto contra a própria História.


É por esta razão que eu não creio que Jesus seja “provado” à menos que seja provado.


A História, no máximo, põe a Jesus como objeto da crença—e isto é segundo a carne—, mas não faz surgir a fé que nos leva a conhecer a Jesus-mesmo, em nós.


Assim, é a Revelação quem ilumina a História, e não a História a Revelação.


Todo o labor cristão por provar a historicidade de Jesus como se isto fizesse alguma coisa a mais acontecer, nada mais faz que colocar a Jesus no lugar dos fósseis observáveis.


É o testemunho de Jesus que é o “espírito da profecia”.


Minha tristeza é ver que boa parte do que os cristão chamam de “conhecimento de Jesus”, nada mais é que um exercício de apropriação histórica de conhecimento, mas que nem sempre tem a ver com a experiência do conhecimento de Jesus, que não é nunca qualquer coisa que valha se antes não tiver sido o fruto da revelação que iluminou o coração com fé.


Afinal, a fé não vem como uma dádiva do mundo físico, mas como uma graça que nasce no coração.


Jesus é Histórico, mas Ele só é Verdade para mim porque algo mais profundo e anterior à própria História aconteceu
em mim.


Ou
seja: é a fé que me faz ver o Jesus Histórico, e não o Jesus Histórico que me leva a fé. Visto que pela História, ninguém pode agradar a Deus, pois os que crêem são filhos das coisas que se não vêem.


Isto porque em Jesus nós temos o paradoxo de que Ele é objeto da fé, mas somente o é, se antes o for mediante a fé.


Não está escrito: “Sem História é impossível agradar a Deus”; mas sim, “sem fé é impossível agradar a Deus”.


Conhecimento histórico de Jesus não leva ninguém a saber quem Jesus é, visto que pela História ninguém conhece a Deus.


Assim, pela História, pode-se saber da existência de Jesus, mas não se pode conhecer Jesus.


Para se conhecer a Jesus antes tem-se que crer Nele.


O Jesus conhecido somente pela História não é mais Jesus, pois já terá virado objeto de observação alterável pela predisposição do observador.


Jesus somente pode ser conhecido pela Revelação, e isto independe da quantidade de conhecimento histórico que a pessoa tenha.


Ora, a demonstração final de tudo o que até aqui disse, acontece pela impossibilidade da História poder responder a uma única questão: Como, pela História e pela Lógica, se pode desejar provar que Deus estava em Cristo? Sim, como poderia Deus em plenitude ter estado num indivíduo? Como poderia Deus ser um indivíduo?


Paulo disse que isto era loucura e escândalo. Pela História ninguém pode responder a tal questão, visto que é loucura. “Mas Deus nos revelou pelo Espírito”, diz Paulo.


A fé grita contra a presunção de se pensar poder conhecer a Jesus mediante meros meios históricos.


Do ponto de vista da fé, pensar de outro modo é blasfêmia e total insanidade. Assim, o que é sanidade para a lógica humana, é insanidade para a fé.


Na História, Cristo se Encarnou; mas é somente no coração—no mundo da subjetividade—que Ele se revelou, mediante a fé.


Este é o conhecimento de Jesus acerca do qual Paulo está falando.





Pr. Caio Fábio
http://www.caiofabio.net



 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O CASAMENTO BÍBLICO


 


O matrimônio é um passo importante na vida de todos. Não é por acaso que existe um grande número de livros abordando o assunto. E o principal conteúdo que se dedica ao tema é a Bíblia, a Palavra de Deus. Há quem afirme que existem mais de quinhentas referências nas páginas do Antigo e Novo Testamento referindo-se ao casamento.

O casamento aos moldes bíblicos vai muito além da união emocional e da junção de corpos, é um compromisso moral e legal, que transcende à esfera espiritual. Para compreender o quanto é significativo aos cristãos a tradição do casamento, é necessário investir algum tempo em estudo bíblico. Por desinteresse em saber qual é a vontade divina para o homem e a mulher é que há nos dias atuais na sociedade pós-moderna tantos casos de infidelidade conjugal, desentendimentos dentro de lares e um grande número de divórcios. A falta de conhecimento da Palavra de Deus leva o povo à destruição (Oséias 4.6; 1 Coríntios 7.3-5). 
 



Um príncipe encantado para a princesa

O noivo próximo ao altar. O templo decorado de maneira impecável especialmente para a cerimônia. A entrada de uma bela garotinha, a caminhar sobre um tapete vermelho no corredor central, segurando delicadamente com luvas brancas um vaso de pétalas onda está o par de alianças, causam a admiração dos convidados; a marcha nupcial e a noiva ao entrar com um lindo vestido branco acompanhada de seu pai vestido com roupa de gala causam admiração ainda maior de todos. Os nubentes ouvem o pastor falar sobre o que representa a união matrimonial, estimula os dois a trocarem juras de fidelidade e amor eterno um ao outro, solicita que coloquem anéis na mão esquerda um do outro, a beijarem-se, e depois permite que saiam com braços entrelaçados pelo corredor da igreja, enquanto todos os olhares e flashes de câmeras fotográficas e câmeras de filmagem estão sobre eles. Esta é a cena que nove entre dez jovens garotas sonham viver um dia, e acreditam que após vivenciá-las serão feliz para sempre.

Mas será que apenas esse evento representa o casamento como Deus idealizou? A Bíblia não apresenta padrão ou ordem cerimonial específica referente ao casamento, mas sem dúvida toda pompa e circunstância cerimonial lembra o grau de importância que é a união de um homem com uma mulher aos olhos do Criador de todas as coisas. Porém, há muito mais que isso.

O principal objetivo da cerimônia de casamento deve ser deixar claro aos convidados presentes, e indiretamente para todas as pessoas ausentes, que os noivos estão compromissados mais seriamente um com o outro, realizaram um pacto solene diante de Deus de união a dois por toda a vida e em todas as circunstâncias. É um importantíssimo testemunho cristão para a sociedade secular. Se houver no coração dos noivos mais do que a mera afiliação religiosa, houver compromisso real com Deus, então, com certeza a aliança de ambos será também na esfera espiritual e Deus os manterá em nível de sucesso conjugal, bem distantes das taxas de infelicidade e divórcio que tem sido uma constante entre casais seculares. A genuína fé em Cristo salva o cristão de sofrer muitos males (Mateus 6.13; Hebreus 13.4).
 


Projeto: felicidade a dois

Gênesis 2.18, 21-24 é uma das mais importantes referências-chave sobre o matrimônio aos moldes bíblicos, aliás é a descrição do primeiro casamento. Neste texto vemos que o casamento tem a ver com intimidade e companheirismo mútuo. O trecho revela que o Criador observou Adão solitário e constatou que a solidão não era boa para ele, então providenciou uma companhia idônea, que veio a ser Eva, feita por Deus a partir da costela do homem enquanto este dormia em sono profundo. Neste relato sobre a união matrimonial, o Senhor apresentou as diretrizes à felicidade ao determinar que o marido e a esposa vivessem juntos, um em função do outro, e que tal relação se mantivesse independente da relação de seus pais.
 


Felicidade e santidade
 


A Bíblia dá a definição com clareza daquilo que deve ser incluído na vida a dois. Deus criou o casamento porque, entre outros motivos, a união conjugal é um instrumento para manter o homem e a mulher em santificação, mantê-los separados da imoralidade sexual que há no mundo.

Salvo um lapso de memória, todas as vezes que li sobre casamento, sempre encontrei em 1 Coríntios 7.27 ("Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher.") uma interpretação que nos leva para a questão de celibato ser melhor do que estar casado. Mas, "não procurar mulher" neste trecho, considerando como contexto os versículos 1 ao 7 do mesmo capítulo, também poderia ser uma recomendação para não praticar sexo fora do laço matrimonial, pois a ação é pecado de fornicação, prostituição, isto é, tal junção carnal aos olhos de Deus é ato imoral.
 


A incontinência da mulher samaritana
  
Junto ao poço de Jacó, Jesus Cristo dialogou em particular com uma mulher, e revelou o seu parecer sobre a importância da instituição casamento. De acordo com a fé judaica, não bastava que um homem convivesse com uma mulher em união sexual para que eles fossem considerados esposo e esposa. E tal conceito se estende ao cristianismo. O respeito ao casamento do próximo deve ser praticado: Romanos 13.9; 1 Coríntios 6.10; Apocalipse 21.8.

"Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade." -  João 4.16-18. 
 
 

Relacionamento conjugal

O marido que é verdadeiramente discípulo de Cristo, permanece na Palavra, reconhece sem resistência que precisa ser acompanhado por toda a vida pela esposa - descrita por Deus como mulher idônea. Aceita a informação bíblica, sem problema de orgulho, que ela é a pessoa eleita pelo Criador para ser a sua ajudadora, pois não tem competência para viver desacompanhado. Convive com ela como a única parceira íntima. Ele sabe que o homem que encontra uma mulher que o ama alcançou o favor divino. Vide: João 8.31; Gênesis 2.18; Provérbios 18.20.

A relação do homem com a mulher ilustra a relação entre Cristo e a Igreja. A esposa foi criada para ser amada pelo marido. O marido deve praticar o grande amor que Cristo praticou em favor da Igreja, quando deu sua vida em favor dela. Ao marido está ordenado que ame sua esposa no estilo do amor mais profundo que é o amor sacrificial, de proteção com a própria vida. Deus ordena ao homem que dê para a companheira um abraço de total segurança. A mulher sábia valoriza a proteção do marido, reconhece que seu esposo é servo do Senhor neste detalhe de proteção, apenas as tolas são capazes de destruir um casamento em que é querida por um esposo tão amoroso (Efésios 5.23-32; Provérbios 14.1).

Quando, com amor sacrificial, o marido mantém sua atenção para a mulher e ela reconhece isso e se submete ao marido conforme as Escrituras Sagradas recomendam, então, o resultado é uma relação em santidade e, além disso, com muita felicidade.

As Escrituras Sagradas projetam o plano divino do casamento de maneira muito expandida, podemos dizer que é uma proposta poética do Criador para suas criaturas.
 
 
E.A.G.
FONTE: Belvedere 

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA





Os livros sagrados constituem a base do nutrimento ordinário que a Igreja oferece ao povo, e isso que neles se encontra é considerado como regra suprema da religião, fundamento da teologia e objeto de estudo. O livro é até objeto de veneração: a Bíblia contém a Palavra de Deus. Isso acontece por causa da inspiração divina: os livros sagrados têm Deus por autor e como tais são entregues ao povo.
Por outro lado, quando entramos nos particulares de cada livro, eles parecem símiles aos outros livros humanos, compostos por homens, com características que os ligam claramente à época e ao ambiente em que foram escritos. Como conciliar estes aspectos humanos com a qualidade de Palavra divina que a Igreja reconhece nos livros bíblicos? O que a Igreja pretende afirmar quando ensina que estes livros são divinamente inspirados? Elucidar esses pontos é o nosso objetivo nesse capítulo.
Não podemos considerar a Bíblia isoladamente. Ela adquire o seu sentido se vista no quadro global da revelação divina, acontecida através de palavras e obras, na história do povo de Deus. A inspiração dos livros sagrados deve ser entendida como um momento deste processo da história da salvação, do qual é parte integrante. Somente assim pode ser acolhida em todas as suas implicações e na sua complexidade. Por isso é nossa tarefa agora analisar o que é revelação.
 
 
1. Revelação
Deus quis revelar-se e fazer com que os homens conheçam o seu plano salvífico que consiste em fazer-nos participantes, em Cristo, da sua natureza divina. Por isso se manifestou com palavras e obras desde os primórdios da humanidade. Esta atividade divina, com a qual Deus fala aos homens e mulheres como a amigos e se detém com eles para convidá-los à comunhão consigo, constitui no seu conjunto aquilo que é chamado “revelação”.
A carta aos Hebreus começa de maneira solene: “Em múltiplas ocasiões e de muitas maneiras Deus falou outrora a nossos pais pelos profetas. Agora, nesta etapa final, falou-nos por um Filho, a quem nomeou herdeiro de tudo, o mesmo por quem criara os mundos e as eras. Ele é o reflexo de sua glória, expressão de seu ser; ele sustém o universo com a palavra potente de Deus; e, depois de realizar a purificação dos pecados, sentou-se à direita de sua majestade nas alturas, tornando-se um protetor mais poderoso, que os anjos tanto mais extraordinário é o título que herdou”.
Em Cristo encarnado temos a revelação final e plena, que se realiza em sua pessoa, em suas ações e em suas palavras, visto que nele fala o Pai. Porém antes da vinda histórica de Jesus houve uma revelação em muitos atos e em muitas palavras ditas pelos profetas e pelos fatos históricos. Então poderíamos falar de vários momentos de revelação que conduzem àquele que revela o Pai, Cristo, centro de toda a revelação.
 
 
1.1. Revelação pela Criação
A substância de toda a natureza é ser criatura e, como tal, revelação de Deus, ou manifestação de Deus. Tudo o que Deus realiza fora de si mesmo o manifesta, sendo uma espécie de língua: os céus proclamam a glória de Deus.
É uma imagem frequente falar do livro da criação: “o que se pode conhecer de Deus está a seu alcance, pois Deus lho manifestou. Já que, desde a criação, sua natureza invisível, seu poder eterno e sua divindade são conhecidos por uma reflexão sobre as coisas criadas” (Rm 1,19-20). Ou seja, Paulo diz que as criaturas revelam Deus a uma mente que saiba refletir. E o livro da Sabedoria o formula da seguinte maneira: “pela magnitude e beleza das criaturas se descobre por analogia quem lhes deu o ser” (Sb 13,5).
A natureza pode nos conduzir a Deus através da percepção simbólica. A percepção de uma presença superior numa tormenta: a tormenta se transcende a si mesma, nela se descobre algo superior e imponente, algo sagrado e divino; não por meio de raciocínios, mas sob a forma de experiência profunda e emocional. O mesmo acontece com um profundo céu estrelado, com um vulcão em erupção, com a imensidão tranquila de um mar, com o silêncio intimidante de uma floresta... É verdade que nesse caminho existe o perigo das deformações, conforme nos demonstra o estudo da história comparada das religiões. De qualquer forma esse é o caminho religioso de muitos povos. Isso é presente no Sl 29, que canta o Deus presente na tormenta: um fato da natureza é contemplado e submetido a uma reflexão na qual o trovão se aprofunda em voz de Deus. Assim também se viu no tumulto oceânico uma rebelião ou desordem sobre o qual Deus impõe a ordem de forma vitoriosa (cf. Sl 93, 3-4; Dn 7).
 
 
1.2. Revelação pela História
A natureza é o cenário da história. A história do ser humano revela o homem e a mulher. Pode ela também revelar Deus? Deus pode ser um personagem ativo na história humana e revelar-se nessa atividade? Uma primeira resposta dirá que sim. Contudo, para muitos, a história da humanidade é mais um escândalo que uma manifestação de Deus; e não é tão fácil ver continuamente a providência de Deus em todos os acontecimento da nossa vida, adversos, humilhantes, estúpidos.
Um historiador que quisesse escrever a história de Petrópolis teria que contar com um personagem, muitas vezes protagonista, que é Deus. É certo que para explicar corretamente alguns fatos históricos, ele precisaria de uma luz penetrante, a fé. Um historiador agnóstico teria que registrar alguns fatos enigmáticos que passam a determinar a história da cidade. O agnóstico diria sobre esse fato: “Sem explicação até o momento”. Aquele que crê, invés, recolheria o fenômeno e explicaria o seu verdadeiro sentido. É verdade que para explicar o sentido profundo escondido no fato ele usaria certos meios narrativos que não estão previstos no método da historiografia moderna. Mais ainda, só leitores que crêem entenderiam de fato a história dessa cidade. Isso aconteceu com episódios bíblicos: eles queriam narrar a verdadeira história, a profunda, a que é entendida à luz da fé. E essa história tem um protagonista: Deus.
Ora, quando reduz um pouco a sua transcendência para intervir na história, Deus manifesta a sua presença e a sua ação. Se reitera as intervenções, até criar uma continuidade de ação, as revelações particulares, que se assemelhavam a pontos, unem-se numa linha e a linha esboça uma figura. A figura de uma continuidade e de uma constância: Deus revela-se em sua atuação constante, e o homem pode conhecê-lo como uma pessoa amiga e exigente, clarividente e protetora. Deus revela-se na história.
O que a história é para um povo a biografia é para um indivíduo: também este, refletindo sobre a própria vida, pode descobrir uma série de pontos de intervenção divina especial e traçar sobre eles uma linha, compondo com essa linha uma figura, que revela Deus. Não nos esqueçamos que essa revelação privada pode ser comunicada a outros, partilhada com eles, e transformar-se em ponto de irradiação divina, já que todo povo se compõe de pessoas individuais.
 
 
1.3. Revelação pela Palavra
A palavra é a forma plena de comunicação humana e Deus escolheu também essa forma de comunicar-se, de revelar-se. Só que Deus fala-nos numa linguagem humana, por meio de homens. Mas pode Deus falar-nos em palavras humanas? Não pode fazer de outro modo, pois fala a nós, seres humanos.
Nesse processo existe, porém, um desnível de recursos. Se nós vamos traduzir essa complicada teoria da revelação ao povo simples temos que usar outros recursos, sobretudo no âmbito de conceitos. Para facilitar o ensinamento nós iremos incluir na explicação alguns elementos próprios do povo que talvez não estariam presentes num tratado teológico. Isso também acontece com a linguagem de Deus; o desnível é de uma ordem incalculável. Apenas num esforço de descer, Deus pode abrir-se a nós em nossa linguagem humana.
Essa descida de Deus foi denominada pelos padre gregos synkatabasis e traduzida pelos latinos como condescendência. Assim João Crisóstomo recorre a esse princípio para explicar passagens difíceis da Escritura. Abordando a criação de Adão ele comenta: “Não tomes as palavras humanamente, mas atribui à fraqueza humana o estilo material. Pois, se não empregasse essas palavras, como poderíamos aprender os mistérios inefáveis? Não nos detenhamos nas meras palavras, mas entendamos tudo dignamente a partir de Deus.
Deus quis falar-nos em palavras rigorosamente humanas, ditas por homens. Nas palavras hebraicas, aramarias ou gregas dos autores, Deus está falando a mim. Jeremias fala com toda a sua alma, e quem está falando é Deus; Paulo fala, com toda a sua paixão, e Deus é que está falando. Realiza-se uma ação misteriosa, formulada na Segunda Epístola de Pedro: “Antes de mais nada, tende presente que nenhuma predição antiga ocorreu por desígnio humano; homens como eram, falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pd 1, 20-21). Os autores bíblicos falavam, em nome de Deus, pela ação do Espírito. Damos a essa ação do Espírito o nome de “inspiração”, e é ação do Espírito com vistas à palavra. A Bíblia provém de um sopro divino, de uma ação do Espírito Santo. E o resultado disso é: “Todo escrito inspirado por Deus serve para ensinar, repreender e educar na retidão” (2Tm 3,16).
Uma vez descrito o processo de revelação divina vamos nos deter na revelação através da Palavra contida na Bíblia. E a inspiração dessas palavras faz parte da atividade reveladora de Deus.
 
 
2. A Palavra Inspirada
Embora não haja menção explícita da inspiração nas páginas do AT, há muitas passagens que a sugerem. Somos informados, por exemplo, que foi por ordem divina que Moisés escreveu o livro da Aliança (Ex 24,4-5; 34,27) e que Jeremias registrou num livro os oráculos do Senhor (Jr 30,2; 36,2). Dessa forma os judeus acreditavam que todos os seus livros procediam de Deus. A Igreja Católica herdou essas Escrituras e aceitou o caráter sagrado delas. Jesus já as tinha citado como a Palavra de Deus (Mt 22,31; Mc 7,13; Jo 10,24-25).
A crença da Igreja na inspiração divina das Escrituras também é clara, com referência aos tempos mais antigos, na tradição dos Padres e no ensino dos teólogos de todas as épocas. Os Padres mais antigos classificaram as Escrituras de “oráculos de Deus” que foram “ditados pelo Espírito Santo, o qual usou os escritores sagrados como “instrumentos”. Mais tarde, os escritores falaram do Espírito Santo como o “autor” das Escrituras e afirmaram que ambos os Testamentos foram inspirados pelo Espírito. O ensino dos Padres sobre a inspiração pode ser resumido em duas afirmações: Deus é o autor da Bíblia; o escritor humano é instrumento de Deus.
Ao lado dessa tradição dos Padres, temos toda uma série de pronunciamentos por parte da Igreja e neles podemos traçar um constante desenvolvimento em busca da exatidão. Até o século V a Igreja esteve empenhada principalmente em definir e defender a extensão e o conteúdo da Palavra de Deus e foram elaboradas listas dos livros sagrados. Do século VI ao XIII, foi declarado repetidas vezes que esses livros são sagrados, porque Deus é o seu autor e também, em vista de certas heresias que minimizaram ou rejeitaram o Antigo Testamento, que Deus é o mesmo autor tanto do Antigo como do novo Testamento. No Concílio de Florença (1441) uma razão dessa última declaração foi proposta: Deus é o autor de ambos os testamentos, porque os escritores sagrados de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Isso foi repetido pelo Concílio de Trento e pelo Vaticano I e o Vaticano II acentuou o que a Inspiração não é (cf. apresentação dos grupos).
 
 
2.1. Deus autor da Sagrada Escritura: a Patrística
Na palavra dos Padres e do Magistério é sempre sublinhada a autoridade de Deus que está à base da Escritura. Isso se exprime na fórmula que declara Deus “autor” dos livros sagrados. A fórmula teve origem no contexto das lutas contra as várias heresias dualísticas que se manifestaram do II ao IV século sobre a forma do gnosticismo, da doutrina de Marcião e do maniqueísmo. Comum a estas doutrinas era opor o Antigo e o Novo Testamento, quase tratando-os como duas economias opostas, com princípios diversos. Alguns chegavam a afirmar que pertencia a Satanás “as coisas que se encontravam nos profetas e na lei (Mani: cf. PG 10,1451ss). Contra essas heresias vem afirmado pelos Padres e pelo Magistério que Deus é o autor de ambos os Testamentos e que eles formam uma continuidade.
Santo Irineu: “Um e idêntico é o fundador do Evangelho e da Lei”(Adv. Haer., IV, 12,3: PG 7, 1005)
Santo Agostinho: “A igreja dos maniqueus considera erroneamente os dons do Antigo Testamento e do seu autor”(Contra Faustum 15,1: PL 42,303). “Como o único e verdadeiro Deus é o criador dos bens temporais e dos bens eternos, assim ele mesmo é o autor de ambos os Testamentos, porque o Novo é figurado no Antigo, e o Antigo é revelado no Novo” (Contra Adversarium Legis et Prophetarum I, 17,35: PL 42,623).
A fórmula “Deus autor” é retomada mais vezes e aparece também no Concílio Florentino (1442), no Concílio de Trento (1546), no Concílio Vaticano I (1870) e no Vaticano II (1965: Dei Verbum, 11).
É claro que tudo isso não indica que Deus é o autor literário, mas que ele é a origem da economia tanto do Antigo quanto do Novo.
 
 
2.2. A Inspiração a partir dos Medievais até Nossos Dias
Para os teólogos medievais a Escritura aparece como um tesouro que esconde uma riqueza sem limite. Nela, como já tinha dito Irineu, “nada é sem significado” (Adv. Haer., IV, 18,2: PG 7,1025), “nada tem nela que não possua qualquer mistério” (S. Bernardo, Super Missus est, 1,1: PL 183,55); “não tem página do livro sagrado que não testemunhe o Verbo encarnado” (Eriberto de Losinga, Sermo I). Em vista desse pensamento era necessário investigar a Bíblia no objetivo de explicar o relacionamento de todos os elementos com Cristo. Isso podia conduzir a uma engenhosidade artificial.
Outros autores do período medieval são sobretudo Cassiodoro, Isidoro de Sevilha, Beda o Venerável e Rabano Mauro.
Na Escolástica o franciscano Duns Escotus é o primeiro a elaborar, de modo amplo, os argumentos pelos quais a Escritura é uma obra inspirada. Depois aparece também a escola dominicana: Santo Alberto Magno e São Tomás de Aquino.
O Concílio de Trento não se encontra diante de erros resguardastes a origem divina dos livros sagrados e a sua autoridade. Esses pontos estão presentes na doutrina protestante. Por isso o Concílio se limita a afirmar a fé da Igreja nos livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento, “porque um só Deus é autor dos dois”.
Um ponto importante do Concílio de Trento, com referência ao nosso argumento, é a extensão total da inspiração. Os Padres conciliares, após oferecer o elenco dos livros canônicos afirmam que todas as partes de todos os livros são inspirados. Não importa, portanto, se uma parte de um livro seja ou não religioso ou não conexo com a fé.
Após o Concílio de Trento aumenta o interesse pelos problemas relativos à origem divina do livro sagrado. Os motivos são diversos: os protestantes, mesmo reafirmando o caráter divino da Bíblia, tinham excluído do cânon alguns livros e isso suscitou tomada de posição da parte da Igreja. Precisa também recordar o surgimento das buscas científicas no início do século XVII, que começou a colocar os dados da Escritura em confronto com os dados das ciências positivas, estimulando a busca sobre os condicionamentos humanos aos quais podia estar colocado o livro sagrado. Dois nomes aparecem nesse tempo: Domênico Bañez e Leonardo Lécio.
Segundo Bañez a inspiração pode se tratar de três coisas: 1)ou que isso sobre o que se trata no escrito era desconhecido pelo autor, e lhe foi revelado por Deus; 2) ou que tais coisas eram já conhecidas pelo escritor, mas que ele se colocou a escrevê-las graças a uma moção especial divina e com certa assistência do Espírito Santo; 3) ou que as coisas reveladas vêm sugeridas e quase ditadas mesmo com relação às síngulas palavras. O ponto positivo em Bañez é que ele suscitou uma discussão acerca do que signifique a moção inspiradora e chamou a atenção para não tirar do prisma da ação divina também as síngolas expressões da Bíblia. Mas a teoria não deixava muito espaço para a ação humana do escritor, rendendo difícil a explicação da diversidade de linguagem e mentalidade existente entre os textos sagrados.
Lécio buscou outra explicação. Sua teoria pode ser afirmada em três sentenças: 1) para que um livro seja considerado Escritura sagrada não é necessário que as síngulas palavras sejam inspiradas diretamente do Espírito Santo; 2) não é necessário que as síngulas verdades e proposições sejam inspiradas imediatamente pelo Espírito ao escritor; 3) se um livro escrito sem assistência do Espírito por obra humana, o Espírito Santo testifica em seguida que não tem nada de falso nele, ele se torna Escritura Sagrada. Essas teorias de Lécio representam uma tentativa de explicar a diversidade dos livros e para isso exclui a necessidade de uma revelação de cada palavra.
Diante dessas validações se vai condenando um conceito demasiado rígido de Deus “autor literário” dos livros bíblicos. Passa-se a considerar, então, os aspectos humanos da linguagem da Bíblia, sem detrimento quanto à origem divina de sua mensagem.
O Concílio Vaticano I repetirá o cânon de Trento e acrescentará que os livros sagrados são inspirados. O Vaticano II repetirá as palavras de Trento: “Todos os livros seja do Antigo ou do Novo Testamento, com todas as suas partes, são inspirados” (DV 11).
 
 
2.2.1. Documentos do Magistério
Vamos elencar os principais documentos que tiveram maior importância doutrinal em ordem cronológica dando uma breve caracterização de cada um.
Encíclica Providentissimus de Leão XIII (18/11/1893): fala sobre os estudos da Sagrada Escritura, dando uma panorâmica completa sobre os estudos bíblicos na Igreja e sobre a sua necessidade. Convida também os estudiosos a resolver as dificuldades que apareceram com as ciências naturais, considerando a linguagem bíblica.
Decreto Lamentabili (02/07/1907) e Encíclica Pascendi (08/09/1907), contra o modernismo. O Lamentabili exclui a opinião que a inspiração permite o erro ou que se possa prescindir dela na interpretação da Bíblia. A Pascendi descreve e condena a opinião modernista sobre a inspiração, i. É, um impulso derivado da experiência religiosa própria de cada crente, contestando assim a verdade dos livros sagrados.
Encíclica Spiritus Paraclitus de Benedito XV (15/09/1920): exclui a distinção entre elemento religioso e elemento profano da Bíblia bem como afirma a verdade bíblica contrapondo assim a doutrina de uma verdade “relativa” a propósito do texto sagrado.
Encíclica Divino Afflante Spiritu de Pio XII (30/09/1943): recomenda o uso da ciência crítica, das ciências linguísticas, das ciências históricas e dos modos de expressão a fim de chegar a uma correta determinação do sentido literal e alcançar assim a veneração devida às palavras inspiradas.
Encíclica Humani Generis de Pio XII (12/08/1950): insiste sobre a autoridade divina da Escritura e dá indicações sobre a pesquisa do gênero literário dos primeiros capítulos do Gênesis.
Constituição dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II (18/11/1965): Expõe a doutrina católica sobre temas da revelação, da tradição e da Escritura, da inspiração e do método exegético, do Antigo e Novo Testamento e da Escritura na vida da Igreja.
Além desses documentos ainda poderíamos citar cartas da Comissão Bíblica, instruções da mesma comissão, Admoestação do Santo Ufício e outros. Tudo isso revela a importância que o Magistério atribui à Bíblia, nosso código de fé.
 
 
2.3. Critérios da Inspiração
No Concílio Vaticano I se exprimiu que a Tradição transmitiu a existência da inspiração dos livros sagrados. Isso foi transmitido através da voz dos Padre e dos teólogos. Tal transmissão é um critério provativo do dogma da inspiração.
Para provar a existência da inspiração foram propostos outros critérios. Porém eles nem sempre se mostram eficazes.
O primeiro deles e o critério do apostolado. Os apóstolos eram infalíveis no ensinar a palavra divina, tanto oralmente quanto por escrito. Por isso tudo o que eles escreveram foi inspirado. Porém infalibilidade não quer dizer inspiração. Se um escrito é infalível não quer dizer que tenha Deus por autor. Então não bastava ser apóstolo para ter o dom da inspiração. Além do mais esse critério só valeria para o NT. E se fosse critério para o NT se deveria excluir da Bíblia segundo e terceiro evangelhos e os Atos, pois foram compostos por quem não era apóstolo.
O critério do apostolado pode ajudar no sentido que os apóstolos ensinaram que aqueles escritos são inspirados: é precisamente a tradição divina e apostólica que dá o critério para documentar a inspiração.
O segundo critério é o do testemunho do autor humano. Porém os escritores nem sempre tinham consciência de sua inspiração (cf Ap 22,18, que tinha essa consciência). Mesmo se os autores tivessem essa consciência não significaria que a inspiração fosse verdadeira.
Um outro critério é aquele defendido pelos irmãos separados, ou seja, o testemunho do Espírito Santo no ânimo do leitor: enquanto um lê um livro bíblico, sente em si a certeza que ele é inspirado e tal certeza vem de uma iluminação especial que o Espírito dá a cada crente. Esse é um critério ineficiente porque sujeito a alucinações e ilusões.
Esses critérios são ineficazes em provar que Deus seja o autor principal dos livros bíblicos, i. é, que eles são inspirados. Assim se conclui que o melhor e único critério para provar a existência da inspiração é a tradição divino-apostólica, custodiada e aprofundada e ilustrada pelo Magistério da Igreja.
 
 
2.4. Consequências da Inspiração
Se a Bíblia é inspirada por Deus ela não pode conter erros; ela traz a verdade. O surgimento das ciências abalou essa formulação. Recordemos do caso Galileu. Daí nascem tentativas de limitar a “inerrança” da Bíblia. Alguns quiseram restringir a inspiração somente às coisas espirituais deixando fora sobretudo as questões históricas. Para resolver esse problema o caminho é considerar os gêneros literários. A verdade é proposta diversamente nos textos em diferentes maneiras, seja de modo histórico, profético, poético e outros. Porém nós não devemos supor que cada palavra está certa na Bíblia. Devemos ver a verdade bíblica no conjunto de seus juízos e aí sim não existe erro. Se a inspiração é total, se todas as partes da Bíblia têm Deus por autor, a consequência é que nenhuma parte do livro pode ensinar o erro.
Quanto a essa doutrina da absoluta honestidade da Bíblia parece surgir fortes objeções, particularmente com respeito a algumas páginas do AT aonde se aprova, por exemplo, o extermínio de inteiras populações, ou se expõem fatos escandalosos, ou homens santos escolhem violentas penas contra os seus inimigos.
 
 
2.4.1. Histórias de Crueldade
Quanto às crueldades narradas pela Bíblia é preciso ter presente alguns pontos. 1) Às vezes o texto sagrado descreve simplesmente o que aconteceu, exprimindo a reprovação do autor ou com palavras explícitas ou no contexto (Jz 19,22-30). 2) Problema maior é quando na descrição de métodos cruéis de guerra se atribui a Deus o impulso ou a ordem (cf. Js 6,17.21.24.26; 8,8.22.24.26.28-29; 10,28, 10,30). Parece que todos os cananeus foram, por ordem de Deus, destruídos. Talvez nos ajude a compreensão o fato de que nos povos vizinhos a Israel se conheça exemplos de crueldade cometidos durante a guerra e atribuídos a uma ordem dos deuses do povo vencedor (na estrela de Mesha - IX séc. a.C. - o rei de Moab se gloria por ter assassinado o povo da cidade de Ataroth e apresenta o fato como espetáculo agradável ao deus Kamosh). Uma tentativa de resposta poderia ser buscada na visão que afirma que o dever de fidelidade a Jahweh exigiam de Israel a abstenção de qualquer contato perigoso com os pagãos. Tal exigência se traduzia, na situação do tempo, numa necessidade de aplicar um direito de guerra, em princípio, ilícito, mas considerado legítimo na mentalidade de então, e sancionado pela suprema potestade de Deus sobre a vida dos homens.
Essa explicação parece ainda deficiente. Talvez seja melhor colocar a questão no sentido que a revelação de Deus para Israel era progressiva e que Deus só manifestou as consequências
derivantes da Aliança pouco a pouco, educando o povo lentamente para prepará-lo à revelação evangélica.
 
 
2.4.2. As Histórias de Fatos Escandalosos
Às vezes a Bíblia conta fatos escandalosos, mas a exposição não é aprovação e sim desaprovação, se não expressamente, ao menos tacitamente. Além do mais a narração desse fato serve ao leitor como indicação de um perigo espiritual que deve ser evitado. Com relação a certos vocábulos que possam ferir alguém escrupuloso, se deve dizer que talvez, quando foi escrito, não tinha a conotação que hoje recebeu.
 
 
2.4.3. As Penas Para as penas afligidas aos adversários dos justos (cf. Sl 35,3; 108,6-8; 51,7) precisa ter presente os seguintes princípios:
a) No AT vigorava a lei do talião, que dizia assim: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente...” (Ex 21,23), e que exprimia o princípio que toda a culpa deve ser punida.
b) Geralmente as penas eram formuladas durante a oração: nela o homem pio confundia a sua causa pessoal com a causa de Deus, ou com a causa da justiça e da ordem; por isso quem pedia a punição exprimia o desejo de não existir mais inimigos de Deus.
c) Não podemos pretender da ética do AT o heroísmo de caridade fraterna que é prescrito no NT; a Lei Evangélica supera a lei antiga, o que não afirma que essa fosse ruim intrinsecamente.
 
 
2.5. Perigos Decorrentes da Teoria da Inspiração A inspiração da Bíblia é um fato misterioso, como todas as ações que envolvem Deus e o homem reciprocamente. A busca de uma explicação “racional” pode dar origem a ideias falsas sobre esta realidade.
A colaboração entre Deus e o homem não foi um ditado no qual Deus dita ao homem. A Bíblia nos revela em cada página épocas, estilos, linguagens, interesses diferentes, que testemunham a personalidade dos autores que escrevem. Deus não instrumentaliza o homem: estimula e espera sempre uma colaboração a nível humano. Existem raros casos na Bíblia nos quais Deus ordena de colocar por escrito qualquer coisa (Ex 17,14; 34,27; Jr 36, 1-2), mas não dita nada.
Não se deve porém imaginar a inspiração como um encontro místico entre Deus e qualquer homem o qual escreve depois as suas reflexões, os seus pensamentos e suas experiências religiosas. Os autores humanos da Bíblia vivem em íntimo contato com o seu povo, participam da sua história e de sua fé e escrevem para interpretar a primeira e alimentar a segunda.
A inspiração, finalmente, não é também entendida no sentido que Deus tenha feito escrever só uma parte da Bíblia (as perícopes de mais elevada religiosidade, verdades mais sublimes) deixando o resto ao autor humano. Não existem, no livro sagrado, textos só de Deus ou só do homem. Na Bíblia tudo é de Deus e tudo é do homem.
 
 
Postado por  Luiz da Rosa
 
 
 
 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Família - Criação de Deus



 
"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto." - Gênesis 1.31. 


O alicerce familiar

Nos textos bíblicos que encontrados em Gênesis 1.27-28 e 2.21-24 podemos ver que Deus criou a família usando como base um casal, Adão e Eva, um homem para uma mulher e vice-versa. Este é o padrão de um casamento ao modo bíblico, diferente da visão do mundo de hoje.
 
 
 


O homem no propósito divino da família

"Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te." -  Deuteronômio 6.5-7.

Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel." -  Salmos 128.1-6.

Todo homem precisa ter claro em sua mente que a figura paterna é essencial dentro de casa, pois desempenha um papel essencial à rotina da casa. Como chefe da família, o homem cristão deve liderar o lar com ponderação e oração (1 Timóteo 2.8). Temos o bom exemplo do justo Jó neste quesito: ele era consciente de seu dever familiar, após as festas lembrava-se de seu papel como pai e oferecia sacrifícios ao Senhor como uma maneira de interceder por seus filhos (Jó 1.5).

O primeiro membro da família que Deus criou foi Adão. As figuras de marido e pai são posições importantes dentro do lar, possuem muitas responsabilidades e encargos sociais e espirituais.  Como cristão, o marido precisa amar a Deus e transmitir as Escrituras Sagradas aos membros da família e, se preciso for, até sacrificar-se em favor da esposa como Cristo se sacrificou em favor da Igreja (Efésios 5.25; 1 Timóteo 2.8).

Estudos canadenses mostram que a figura do pai marcando presença em casa é algo extremamente vantajoso para a família. É importante o pai estar presente e participar da infância, juventude e adolescência dos filhos. Se o pai é participativo, as crianças são mais susceptíveis a obter melhor rendimento na escola, são mais propensos a participar de atividades extracurriculares, demonstram maior controle emocional e a fazer escolhas pessoais corretamente. Meninos tendem a tornarem-se pais exemplares se conviveram com os seus.

Em famílias de baixa renda é comum a figura paterna não priorizar o envolvimento efetivo, apesar do pai viver na casa não é uma pessoa que orienta os filhos o quanto deveriam orientar. Muitos pais trabalham em turnos duplo e ficam distantes como se nem fizessem parte da família.

É comprovado que a ausência paterna provoca mais problemas de comportamento e mais problemas de saúde. Os adolescentes têm mais problemas com álcool e drogas e praticam relações sexuais mais cedo. Quanto mais próximo o vínculo emocional entre pai e filho, menor é o número de incidentes de comportamento socialmente inapropriado.
 
 
 


Esposa e mãe

Embora, no projeto de Deus para a família a mulher seja a segunda pessoa no lar, ela não é menos importante que o homem. O papel feminino é descrito nas Escrituras Sagradas como extremamente necessário, na condição de esposa e mãe (Gênesis 2.20-22; 3.16; Efésios 5.33; Tito 2.3-5).

Provérbios 31.10-31 descreve o tipo de mulher ideal dentro de um lar. É um quadro que serve como um objetivo a ser alcançado. Mesmo que pareça improvável que alguém possa fazer todas as atividades que a Mulher Virtuosa faz, com a ajuda do Senhor é perfeitamente possível que as mulheres modernas façam algo parecido. Com certeza, a descrição se encaixa nas mulheres do mundo no século 21.
 
 
 

Os olhos de Deus fitando o coração dos filhos.

No Brasil e em muitas outras partes do mundo todos os anos temos domingos reservados para que os filhos homenageiem seus pais e mães, lembrem-se que existem pessoas muito especiais em suas vidas e dispensem tempo para estar ao lado delas. Mas, esta disposição só é importante se feita de coração espontâneo, e não em dia específico impulsionado por força de um hábito social. É algo significante honrar os pais. Isso agrada ao Senhor, que prolonga os dias desses filhos e dá-lhes bênçãos por possuírem disposição assim (Efésios 6.1-3; Colossenses 3.20).
 
 


Conclusão

Se o pai não é um alienado, esforça-se para ser o melhor amigo dos filhos, junto com a mãe deles. Coabitando, dão às crianças a oportunidade de receberem legitimamente o bem-estar emocional e material.

Os pais não são pessoas tão sensíveis como as mães, e nem sempre as mães são tão práticas como os pais. Seus estilos parentais e preferências são diferentes, mas igualmente vitais para o desenvolvimento psicológico e social da prole. A diferença biológica de homem e mulher é uma soma de características que produzem benefícios psicológico e social para os filhos, cria uma gama de expressão emocional salutar em indivíduos que se encontram em processo de formação.  A convivência da criança com o casal ajuda-a a amadurecer bem e ser uma pessoa útil na sociedade, estar preparada para  lidar corretamente com sentimentos complicados e ser capaz de saber administrá-los de uma maneira socialmente aceitável.

Quanto disso é comumente praticado em família nos dias atuais? Quantos homens necessitam converter-se ao modo como Deus quer que ele seja como marido e pai, e quantas mulheres precisam ajustar-se aos padrões que o Senhor espera delas como esposas e mães?

 
Postado por Antônio Eliseu Gomes
União de Blogueiros Evangélicos
 
 
 
 
 

sábado, 30 de março de 2013

MELHOR SABE DA GRAÇA QUEM MELHOR SABE DA QUEDA!





 
 
 
Paulo disse que onde abundou o pecado superabundou a Graça.

Jesus disse que a pecadora que invadira o jantar que lhe fora oferecido por Simão, o fariseu, e que se jogara diante Dele... beijando-lhe os pés e enxugando-os com seus próprios cabelos...amava mais porque muito mais se sabia perdoada que a maioria naquele lugar — na casa de Simão o fariseu.

A mulher conhecia o pecado como pratica observável no comportamento externo e suas consequências interiores...no ser.

Paulo, todavia, sentia igual ou maior gratidão, sem ter jamais feito nada que aos sentidos exteriores pudesse ser reprovado.



Eu sou o principal pecador”—disse ele.



É neste ponto que o entendimento cristão das coisas se confunde.

Tem gente que pensa que conhece o pecado porque odeia os pecadores.

Há pessoas que pensam que conhecem o pecado porque já pecaram muito os pecados que são odiados pelos que julgam saberem o que é pecado.

Paulo sabia o que era pecado sem poder ser acusado de nenhum ato ignominioso.

Por que?

Leia Romanos 7 e veja como ele se enxergava.

Ao final daquele exercício de auto percepção o grito dele é terrível:

Desventurado homem que sou!





Romanos 7 é a versão existencial do livro de Eclesiastes; só que concluindo sempre com a esperança da glória de Deus.

Assim como o Eclesiastes tira Deus da vida para que se possa enxergar a vacuidade da existência, assim também Paulo retira a Deus do ser para que se possa enxergar a doença essencial do pecado que habita em mim — para então afirmar a esperança da glória de Deus.

Hoje um amigo que já está casado há mais de trinta anos me disse que casou virgem e que nunca jamais conheceu outra mulher...mas somente a sua esposa.

Fiquei olhando para ele e pensando nisto que agora escrevo.

Por que?

Porque ele é um homem cheio de Graça e misericórdia... apesar de não ter jamais tido que sentir externamente o seu próprio pecar como conduta ou agravo exterior...ou como juízo ou julgamento.

Eu conheço o meu pecado como a pecadora que beijava os pés de Jesus, e também como Paulo, que se sabia o “principal”.

Entretanto, fico mais que feliz sempre que encontro gente que não precisou se arrebentar do lado de fora a fim de se enxergar do lado de dentro.

Afinal, se pecar trouxesse auto revelação, nós, cristãos, estaríamos iluminados...pois não fazemos outra coisa...especialmente quando julgamos os demais.

Consciência de pecado é revelação.

Sem essa revelação você não discerne quem é...e sem tal percepção você jamais saberá o significado da Graça para você.

O melhor de tudo é que isto prescinde de ter que quebrar a cara... Basta quebrar e quebrantar o coração.

Assim, todo santo tem se sabe profundamente pecador... E todo pecador alcançado pela Graça se saberá cada vez mais pecador.

E isto tudo acontece sem culpa e sem neurose.

A revelação não adoece a alma.

Paulo podia saber do pecado sem ter que pecar como exercício cotidiano de anti-vida.

Mas quem não se enche de misericórdia, frequentemente tem que quebrar a cara para se enxergar... Não que sempre que assim seja [...] o seja porque assim é.... Posto que haja outras razões boas para o ser se entenda vitimado pela dor de sua própria transgressão.

O que importa é que a Graça jamais seja vã em nossa vida.

E que esse entendimento nos torne misericordiosos.

Assim como Deus em Cristo vos perdoou, assim também perdoai vós.

Era assim que Paulo via as coisas.
 
 
 
Postado por Caio Fábio
www.caiofabio.net