domingo, 12 de janeiro de 2014

O TRABALHO DOS ANJOS NA GRANDE TRIBULAÇÃO



I.             O EVANGELHO ETERNO

“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14.6-7).

O capitulo 14 é a continuação do grande parêntese que começou no capitulo 12 e se encerra no capitulo 14.20, pois o 15 já é a preparação para os anjos derramarem suas taças, o que ocorre em 16.2. A sétima trombeta, que teoricamente introduz a última seqüência das pragas que é as sete taças, é tocada em Ap 11.15, e as taças são introduzidas em 16.2, sendo do 12 ao 14 um parêntese de narração, e o 15 a preparação para as taças.
A voz, das duas testemunhas e o testemunho dos cento e quarenta e quatro mil calou-se agora sobre a terra, e o evangelho eterno é então anunciado por um anjo, que voa pelo meio do céu. Pela continuação concluímos que se trata no total de seis anjos, que agora têm a proclamar uma mensagem desde o céu.
A palavra evangelho no hebraico é “besorah” e no grego é “evangelion”. Em ambos os casos significam “Boas Novas” para a humanidade, porém aqui são as boas novas do reino de Deus que acontecerão em breve. Pelo menos três nomes de evangelho aparecem no Novo Testamento. Veja a seqüência: evangelho do Reino (Lc 16.16.); evangelho da graça (At 20.24); evangelho eterno (Ap 14.6-7).
Em primeiro lugar, o evangelho é a boa nova de que Jesus Cristo morreu na Cruz do Calvário pelo pecado do mundo e que aquele que aceita isto pessoalmente na fé, é justificado pela ressurreição de Jesus Cristo. Esse é o chamado “evangelho de Deus” (Rm 1.1) e “evangelho de Cristo” (2ª Co 10.14). Trata-se também do “evangelho da graça de Deus” (At 20.24), porque salva os que são malditos pela lei. Além disto, a Escritura fala também do “evangelho da glória” (1ª Tm 1.11) e do “evangelho da vossa salvação” (Ef 1.13). Mas é também o “evangelho do reino”. O próprio Senhor Jesus pregou o evangelho do reino, antes de ir para a cruz: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo” (Mt 4.23). O evangelho do reino é a mensagem que Deus vai estabelecer nesta terra o reino do Cristo, do Filho de Davi, como cumprimento da aliança com Davi.
A palavra “evangelho” engloba, portanto, diferentes resultados da boa nova. Mas o fato de que Deus fez anunciar tanto a boa nova do evangelho da graça, além do evangelho do reino futuro e do evangelho do juízo divino, não significa que exista mais que um evangelho. Pois a graça é o fundamento de todas as dispensações, e em todas as circunstâncias é o único caminho pra a salvação do pecador. O anjo que voa pelo meio do céu prega “um” “evangelho Eterno”. Poderia se dizer: Um evangelho do único evangelho da graça de Deus em Jesus Cristo.
O evangelho está verdadeiramente sendo espalhado por “todo o mundo” como nunca foi visto antes. Através do satélite, a mensagem cristã está sendo apresentada simultaneamente para praticamente todas as nações da terra. Estamos vivendo nos dias preditos por Jesus quando declarou: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo” e “então virá o fim”.
O evangelho do reino será anunciado pelos cento e quarenta e quatro mil durante a Grande Tribulação, após os anjos darão continuidade à pregação deste evangelho.
O resultado da pregação do evangelho eterno será então o juízo sobre o mundo das nações, por ocasião da volta do Senhor Jesus Cristo. A respeito o próprio Senhor fala em Suas palavras sobre os tempos finais: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas” (Mt 25.31-32).
No Apocalipse capitulo 14 João vê anjos que são anunciadores e executadores de juízo (vvs.18-20). Nesse panorama, vemos o terrível tempo de juízo durante a Grande Tribulação, agora novamente porém de outra perspectiva: “a pregação do evangelho eterno”.
Quando não houver mais nenhuma língua humana para anunciar o evangelho, pois os cento e quarenta e quatro mil foram arrebatados, o céu fala. Então os anjos, que o Anticristo não pode atingir, pregarão o evangelho. Figuradamente eles terão seu púlpito em meio ao céu, e todas as nações, tribos e línguas serão obrigadas a escutar, mesmo que não queiram ouvir. A Palavra de Deus não está algemada, mas eternamente viva e tem que ser ouvida.
A mensagem deste primeiro anjo é: “Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (v. 7). Seu evangelho é: “adorem e temam a Deus”. Isto é o contrario da mensagem da besta, que exige adoração da imagem da besta. Ao mesmo tempo esse primeiro anjo anuncia também o juízo. Quanto à época, sua pregação acontece no final da Grande tribulação e o princípio da eternidade.


 II.             PALAVRA DE ADVERTÊNCIA


“Seguiu-se a estes, outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome” (Ap 14.9-11).
Esta visão é uma contra-ordem divina ao edito da Besta: “Seriam mortos todos os que se recusassem adorar a Besta e a sua imagem, e não recebessem o sinal na testa e na mão (Ap 13.15-16). Por isto o anjo traz uma mensagem de condenação eterna, que nunca acabará, da realidade do inferno. O terrível pecado de adoração da besta trará a todos os seus seguidores a maldição do inferno. Hoje em dia Muitos gostam de ouvir e falar da realidade do céu, mas não gostam de ouvir a realidade do inferno. “A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite” (v. 11).
Agora a sentença saiu do Trono, com dura manifestação do juízo de Deus contra os adoradores da Besta. Alguns são levados a desculpar-se: receberão a marca na testa, mas não no coração; porém, nenhum culpado poderá evitar o juízo de Deus (Sl 75.8; Is 51.17; Nm 14.18; Ne 1.3).
“O vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado”. O vinho é derramado puro, isto é, o juízo será sem misericórdia. “Serão atormentado com fogo e enxofre”. Este tormento terrível será individual, cada um padecerá eterno sofrimento (Ap 20.10; 21.8). Ao fogo, para tornar-se mais quente, é adicionado enxofre.
A segunda morte (separação eterna de Deus), “no lago que arde com fogo e enxofre” (Ap 21.8), lugar onde serão atormentados para sempre, os adoradores da Betsa.
“O fumo do seu tormento sobe para todo sempre”. O fumo produzido pelo fogo e o enxofre daquele lago é eterno (Is 34.10). Seu suplício é sem fim e nunca terão repouso. Só em Cristo está o descanso para a alma aflita (Mt 11.28), graças a Deus. Porém, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).


III.             A CEIFA DA TERRA

  
Jesus confirma a Sua vinda a este mundo, Ele não virá nascer novamente como homem, mas buscar Seus escolhidos e para fazer juízo a este mundo.

“Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada. Outro anjo saiu do santuário, gritando em grande voz para aquele que se achava sentado sobre a nuvem: toma a tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que a seara da terra já amadureceu! E aquele que estava sentado sobre a nuvem passou a sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada. Então, saiu do santuário, que se encontra no céu, outro anjo, tendo ele mesmo também uma foice afiada. Saiu ainda do altar outro anjo, aquele que tem autoridade sobre o fogo, e falou em grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: toma a tua foice afiada e ajunta os cachos da videira da terra, porquanto as suas uvas estão amadurecidas! Então, o anjo passou a sua foice na terra, e vindimou a videira da terra, e lançou-a no grande lagar da cólera de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estádios” (Ap 14.14-20).

1. A vinda de Jesus em glória. A introdução indica que a visão que João vê é extraordinária, onde ele vê o Cordeiro, o Senhor, exercendo juízo. João tenta descrever esta nova visão, o indescritível que ele vê, ou seja, a glória do Senhor que está voltando. Assim como Ele subiu voltará outra vez: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como viste subir” (At 1.11b). A nuvem corresponde à glória shekinah. Ele está assentado sobre uma nuvem branca, que o traz de volta para a terra em velocidade imaginável, para exercer juízo para a ceifa da terra.
A nuvem que o Senhor está assentado não é negra ou cinza, mas branca. Em grego a palavra usada é “leukos”, traduzido por “luminosa” ou “lúcida”. Poderia se dizer: “portanto... uma nuvem luminosa”.
2. “....e sentado sobre a nuvem um semelhante a filho do homem”, então percebemos que esse é o mesmo Filho do Homem que séculos antes, foi visto por Daniel igualmente sobre as nuvens (Dn 7.13). Sabemos também que em Mateus 24.30, o Senhor Jesus falava da Sua própria volta, quando disse: “Então, aparecerá no céu o sinal do filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. Ele enviará os seus anjos, com grande clamor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.30-31).
Não há duvida que aqui em Apocalipse 14.14 trata-se de Jesus Cristo, que vem para o juízo. Jesus vem para julgar com juízo a humanidade anticristã e as duas bestas (o Anticristo e o falso profeta). “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele (Ap 17.14).
3. “...tendo na cabeça uma coroa de ouro” (Ap 14.14). Não é uma diadema que enfeita a cabeça d’Aquele que vem sobre a nuvem, mas uma coroa de ouro trata-se do rei das nações, do rei do mundo. O Rei dos reis coroado, que vem em grande poder e glória, tem na mão uma foice. A foice erguida está afiada para realizar a ceifa. Esta expressão nunca é utilizada para descrever o recolhimento de bons fruto. De modo que ela significa algo terrível, Ele vem aqui como Juiz do mundo. A terra tem que ser limpa das más plantas pelo trabalho de juízo da vingança divina. Esta é a razão da foice ser “afiada”.
João recebe aqui uma visão de Amargedom! Ele vê, resumidamente a luta final dos povos, que é várias vezes citada no Apocalipse (9 e 16).
Jesus Cristo está assentado, portanto sobre esta nuvem luminosa, pronto para executar o juízo. Então “outro anjo grita em alta voz “do santuário” dirigindo-se “Aquele que está assentado sobre a nuvem” (v.15). Mais um anjo vem com sua mensagem. Esta vez, João comenta sobre a procedência do anjo – ele saiu do santuário, ou seja, da presença de Deus (3.12; 7.15; 11.19). Não há dúvida sobre a fonte de sua mensagem; ele vem diretamente da presença de Deus para transmitir a ordem para o filho do homem. Qualquer ordem dada a Jesus teria que vir do Pai, pois somente o Pai tem autoridade sobre o Filho (cf. Jo 14.28; Mt 26.39,42; 28:18; 1ª Co 11.3; 15.27).
4. A seara já está madura. “...toma a tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que a seara da terra já amadureceu!” Juntamente com o grito do anjo começa a ceifa, o juízo: “...e aquele que estava sentado sobre a nuvem passou a sua foice sobre a terra...” (v.16). Este é o sinal para a grande ceifada. Agora começa a hora do juízo sobre a besta e seus adoradores.
Uma ceifa estranha, que não podemos compreender racionalmente. Essa ceifa de juízo engloba todas as catástrofes, que acontecerão em breve sobre a terra. As taças de Deus serão derramadas para horror de todo o mundo, Babilônia desmorona com grande barulho; são cortados os mais importantes nervos vitais do Anticristo; a grande meretriz (Ap 17 e 18) perde seu esplendor e seus adornos reais, sendo coberta de pragas, miseria e fogo. Se João diz aqui: “...e a terra foi ceifada”, então ele fala da conclusão definitiva desta era da graça.


 IV.             A VINDIMA DA TERRA

  
No capítulo 14 João não tem somente a visão da “ceifa”, a vinda do Senhor para ceifar as nações, mas também a visão da “vindima”: “...então, saiu do santuário, que se encontra no céu, outro anjo, tendo ele mesmo também uma foice afiada. Saiu ainda do altar outro anjo, aquele que tem autoridade sobre o fogo, e falou em grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: toma a tua foice afiada e ajunta os cachos da videira da terra, porquanto as suas uvas estão amadurecidas” (vv 17-18).Vemos aqui o mesmo procedimento que nos versículos 15 e 16, mas referindo-se agora à vindima. O anjo que vem do céu, entretanto, é outro, não com relação à sua natureza, mas quanto à sua missão. Isso significa, que João vê a volta do Senhor em diferentes aspectos. Em outras palavras: conforme meu entendimento, esse anjo é o mesmo que ele acabou de ver sentado sobre uma nuvem com uma coroa de ouro – trata-se do anjo do Senhor do próprio Jesus Cristo. Primeiro João viu chegando com a foice afiada, para a ceifa das nações; agora ele vê chegando como o anjo para realizar a vindima, o juízo sobre Israel. Pois a “videira da terra” simboliza Israel. È o que se conclui, por exemplo do Salmo 80.8: “Trouxeste uma videira do Egito, expulsaste as nações e a plantaste” (outras ref. Is 5.1-7; Os 10.1-2).
Mas não disse o Senhor Jesus de si mesmo em João 15.1, que ele é a “videira verdadeira”? Como pode então Israel ser a videira se Jesus Cristo é? Este é justamente o fato maravilhoso pois exatamente este fato duplo mostra a identificação do Senhor com Seus irmãos segundo a carne.
Sua vinda como anjo do Senhor; esta é sua vinda para Israel, que se converterá ao ver Seu Messias e Sumo-Sacerdote. É o que diz o profeta Zacarias. Antes Israel será atingido por duros juízos através da besta e então reconhecerá que o Senhor que está voltando realmente é o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Estas experiências e conclusões levarão Israel à conversão.
“...toma a tua foice afiada e ajunta os cachos da videira da terra, porquanto as suas uvas estão amadurecidas! Então, o anjo passou a sua foice na terra, e vindimou a videira da terra, e lançou-a no grande lagar da cólera de Deus” (vvs. 18b-19).
Em outras palavras: ajunta as uvas da videira, ajunta os filhos de Israel. O que o Senhor então fará com estas uvas ajuntadas em todo mundo. Ele lança-os “no grande lagar da cólera de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estágios” (v. 20).
O que é este terrível juízo que atingirá Israel? Para compreendermos esta pergunta, faz-se necessário ler Isaias 63.1-4: “Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes de vivas cores, que é glorioso em sua vestidura, que marcha na plenitude da sua força? Sou eu que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelho o traje, e as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar? O lagar, eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor, as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo. Porque o dia da vingança me estava no coração, e o ano dos meus redimidos é chegado”.
No lagar foram salpicadas as vestes de Cristo. Lá cumpriu-se aquilo que Israel exclamou, quando acusou Jesus diante de Pilatos “Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos” (Mt 27.25). Quando Israel for lançado no lagar da cólera de Deus, então entrará em contato com o Homem de Gólgota. “Eles verão a quem transpassaram” (Ap 1.7). Então o sangue do Cordeiro terá efeito para eles, para seus próprios irmãos. Vendo que o Senhor está voltando, com Sua foice afiada, eles humilhar-se-ão sob o Seu juízo. “Porque o dia da vingança me estava no coração (vingança contra as nações), e o ano dos meus redimidos é chegado (redenção de Israel)”. Quando Israel estiver no lagar da ira de Deus, eles lamentarão, chorarão e se converterão. Apocalipse 14.20 descreve de maneira tão comovente o que acontecerá fora da cidade também para Israel: “E o lagar foi pisado fora da cidade”. Ali foi derramado o sangue do Filho de Deus.
Esta maravilhosa figura da conversão de todo o povo de Israel é completada pelo outro anjo: “Saiu ainda do altar outro anjo” (v. 18).
O anjo que tem poder sobre o fogo, isto é sobre o juízo, exclama: “Senhor, ajunta Israel, lança-o agora no teu grande lagar, lava-o pelo teu precioso sangue”.
Novamente digo que aqui não são os cento e quarenta e quatro mil selados, pois eles são as primícias de Israel e já estarão na glória (Ap 14.1-2).

O restante que não aceitar a pregação das duas Testemunhas e dos 144.000 mil, serão levados para o lagar da ira de Deus (Armagedom). Ali Israel será pisado, oprimido e angustiado pelo Anticristo, mas quando Israel se converter e reconhecer que o Messias que eles crucificarão é o verdadeiro Jesus aparecerá em glória para socorrer Israel entre o monte das oliveiras.

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O fruto do Espírito na vida do crente


No cenário evangélico, existem muitas abordagens acerca do fruto do Espírito. Livros, artigos em revistas, pregações. Embora eu saiba que minha contribuição seja das mais pequenas, digo que é importante tocar neste tema em profundidade pois tal iniciativa contribui para enriquecer a vida cristã daqueles que desejam conformar-se à imagem de Cristo. 

Encontramos no Novo Testamento Jesus Cristo como o Caminho. O coração humano é comparado ao solo, que precisa ser um terreno bem tratado, alvo de bastante cuidado, ser fértil, pois o Agricultor, que é nosso Deus, espera que ele seja produtivo.

Deus não se agrada da ausência do fruto a ser colhido, do fruto doente, da colheita incompleta. A produção perfeita do fruto do Espírito na vida do crente leva-o à comunhão íntima com Deus.

A Parábola do Semeador apresenta quatro tipos de terras:

1 - O terreno à beira do caminho (Mateus 13.4, 19).

Jesus Cristo descreveu o coração de alguns crentes como "beira do caminho". O coração deles é igual solo endurecido, tal qual tijolo e concreto, é semelhante a superfície de terra batida porque transitam milhares de pedestres dia após dia sobre eles. 

A rigidez os torna impenetráveis à água. As sementes são incapazes de germinar em solos duros, morrem antes de brotar. Aves comem essas sementes, pois encontram elas espalhadas. 

São corações fechados para as orientações da Palavra de Deus, mas abertos para muitas pessoas que formam suas opiniões com pensamentos que se chocam ao ensinamento bíblico. Eles dão importância maior para mensagens antibíblicas encontradas em conversas com não cristãos; aos conteúdos estranhos à Bíblia Sagrada encontrados em sites na internet, letras de músicas sem nenhum temor a Deus ouvidas no rádio, em arquivos de MP3; aos textos escritos para debochar da fé cristã, publicados em revistas e livros; sentem prazer em assistir esquetes na televisão e acompanhar roteiros de cinema produzidos para escarnecer da vida em piedade. Enfim, a mídia secular influencia a vida do coração duro e o faz viver afastado da vontade divina.


Os pássaros são analogias das equivocadas relações de amizades desses crentes.

2 - O solo rochoso ou pedregoso (Mateus 13.5-6; 20-21).

Terrenos cheios de pedras não podem ser considerados totalmente imprestáveis ao plantio. Trata-se de um tipo de terra que exige do lavrador maior dedicação, mais suor. Mesmo que os camponeses se disponham a limpar e arar a terra com bastante afinco, usem boas parelhas de animais e ferramentas novas e adequadas, empenhem-se para plantar a lavoura com altos custos, haja chuva no tempo certo, os lavradores correm o risco de colher míseros punhados ou nada do plantio, o proprietário corre o risco de ter um amargo fracasso com a produção de sua lavoura.

Muitas pessoas mental e emocionalmente afirmam amar a Cristo. Mas elas não demonstram sua fé e amor através de atitudes coerentes. Estão apenas ligadas à religião por motivos sociais que lhes são convenientes. Possuem elos com pregadores, tarefas ligadas à liturgia da igreja, mas não têm contato constante com Deus, apesar de participar de cultos. O coração delas parece um tapete verde, porém, o subsolo está composto com enormes formações de granito. 

Não é de admirar que a Bíblia Sagrada repete muitas vezes que o homem é duro de coração, pois a natureza humana está em luta constante contra a vontade do Espírito Santo. A Palavra de Deus admoesta aos crentes esforçarem-se para ter paz com todos na medida do possível e afastar-se da corrupção do mundo, mas o coração pedregoso insiste em manter uma briga contínua com alguém, ou a satisfazer-se com prazeres carnais que não condizem com a pureza da santidade divina. Assim sendo, embora a semente brote em seu solo, jamais a bela planta crescerá e frutificará, as raízes encontrarão a resistência das pedras da contenda, o calor angustiante do ódio escondido, a dureza da desobediência ao Senhor e morrerá seca ou queimada pelo sol escaldante. 

A Palavra de Deus é simbolizada nas Escrituras como o martelo que quebra pedras em pedacinhos (Jeremias 23.29). Terrenos rochosos podem se tornar solos maleáveis. O coração superficial, que pulsa apenas pelo hábito da religiosidade humana pode vir a ser terra fértil e entregar ao Agricultor o fruto do Espírito. Para que seja assim é necessário rever as prioridades, querer trocar o pregador, o professor, a bela liturgia de culto, os prazeres da carne por Deus. As relações sociais na igreja são importantes e lícitas, porém, o Senhor deve estar acima de todas elas. Somente quando Deus é o primeiro na vida do crente é que o solo rochoso de seu coração se torna capaz de receber a semente e transformá-la em árvore frutífera. 

3 -  O terreno cheio de espinhos (Mateus 13.7; 21-22).

O cristão precisa examinar a si mesmo, constantemente, perguntar-se quais são suas prioridades. Ele dá mais valor para o mato inútil ou para o fruto eterno?

Os israelitas do passado cultivavam suas plantações no clima semi-árido, para sobreviverem da agricultura precisavam estar em constante vigilância com o objetivo de evitar que em sua lavoura proliferassem espinheiros, cardos e todo tipo de erva daninha. Embora o solo fosse limpo no momento da plantação, o vento poderia trazer sementes indesejáveis, os pássaros poderiam depositar junto com o esterco sementes de abrolhos e cardos, animais domésticos e selvagens poderiam trazer na pelagem sementes de joio ao entrarem na plantação de trigo. Toda safra de uvas poderia se perder sufocada por abrolhos e cardos.

A Palavra de Deus deve ser guardada no coração para que não pequemos contra Deus. A ansiedade, os cuidados com as coisas dessa vida, o engano das riquezas como solução de todos os problemas e a sedução do materialismo competem com a semente da Palavra de Deus em nossos corações. É preciso vigiar para que o nosso coração apresente o precioso fruto do Espírito em safras que não contenham infestação de matos e plantas espinhentas.  

4 - O terreno bom (Mateus 13.8, 23).

A terra boa é altamente produtiva. Jesus Cristo a descreveu como um solo em que o agricultor planta e obtém colheitas lucrativas, resultados satisfatórios de seu trabalho ao lançar as sementes no solo. O trabalho rende uma semeadura com retorno de trinta vezes, sessenta e outros cem vezes  mais o que foi plantado. 

A terra boa oferece a vegetação que o agricultor plantou, porém antes exige dele que se aplique com habilidade na preparação do plantio, retirando o mato, ervas daninhas e sujeiras. Revolva-a com esmero para dela extrair a máxima produtividade.  

O coração humano não é terra promissora, mas ninguém é irrecuperável para Deus. Jesus Cristo derramou na cruz do Calvário suor e sangue para que fôssemos resgatados da condição de esterilidade, para que nos transformássemos em solo limpo, liso, pronto para ser semeado e pudéssemos ter condições de apresentar frutos agradáveis a Deus na estação certa. 

O que faz surtir o efeito real de transformação na terra à beira do caminho, desértica ou pedregosa, para solo  produtivo é o sincero desejo de frutificar. A mudança acontece ao permitir que o Espírito tenha liberdade e realize a limpeza no coração, deixando-o agir com o arado, a enxada, a foice. Remexa nossa vida toda e nos convença de todos os pecados que praticamos e confessemos esses pecados a Deus dispostos a não repetir nenhum deles outras vezes.



O trabalho espiritual ocorre no coração humano quando o crente dá atenção e pratica a Palavra de Deus.  É entregando o campo para Jesus tomar posse dele como único Dono e Senhor que um crente torna-se capaz de apresentar o fruto do Espírito.


Postado por: Eliseu Antônio Gomes


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um Calvinista Compartilha o Evangelho







Eis aqui uma conversa entre um incrédulo e um evangelista que acredita na doutrina da expiação definitiva (algumas vezes desafortunadamente chamada de “expiação limitada”) — o ensino bíblico que quando Jesus morreu, o propósito inalterável de Deus foi cancelar os pecados e a sentença de morte de todos os que ele deu ao Filho (João 6.39).


Incrédulo: Então, o que você está me oferecendo?

Evangelista: Salvação da ira de Deus e dos seus pecados. Vida eterna!

Incrédulo: Como?

Evangelista: Quando Jesus, o Filho de Deus, morreu, ele absorveu a ira de Deus, removeu-a, e assumiu a culpa do pecado por todos aqueles que confiam nele.

Incrédulo: Ele fez isso por mim?

Evangelista: Se você for tê-lo — recebê-lo — terás tudo o que ele é e tudo o que ele fez. Se você confiar nele, sim, ele fez isso por você.

Incrédulo: Então você não sabe se ele fez isso por mim?

Evangelista: Ele está se oferecendo agora a você gratuitamente. Ele está oferecendo a você uma obra de redenção maravilhosa e consumada — tudo o que ele fez ao absorver a ira de Deus e cancelar os pecados. Tudo isso é seu para ter agora mesmo. Se você não a tiver, então a obra não é sua. Se tiver, então ela é. Há somente uma forma de saber se os seus pecados foram cancelados e sua sentença de morte comutada na morte de Jesus. Creia nele. Sua promessa é absoluta: Se você crer, será salvo. Se não crer, você permanece no pecado, e sob a ira de Deus.

Incrédulo: Então o que você está me pedindo para receber?

Evangelista: Jesus. Receba Jesus! Porque Jesus fez de fato essas coisas. Ele realmente assegurou a liberdade do seu povo da ira de Deus. Ele verdadeiramente carregou os pecados deles em seu corpo no madeiro. Se você o receber, você é um deles. Você está incluso. Tudo isso é verdade para você. Ele oferece a você gratuitamente agora mesmo.

Incrédulo: Pensei que poderia saber se Jesus morreu por mim antes de acreditar. É assim que sempre fui informado: Creia nele, pois ele morreu por todo o mundo.

Evangelista: Não posso dizer com certeza, mas as pessoas que te ensinaram isso provavelmente queriam dizer o seguinte: Jesus morreu para que o evangelho pudesse ser oferecido a todos, e todos os que creem serão salvos. Isso é verdade. Mas se eu assegurasse a você, antes de você crer, que os seus pecados foram cancelados e que sua liberdade da ira de Deus foi obtida, eu te enganaria. Imagine se eu dissesse para você: Jesus certamente obteve a sua libertação da ira de Deus e com certeza perdoou todos os seus pecados. Agora creia nisso. O que você diria?

Incrédulo: Eu diria: Maravilha! E se eu não crer agora? Ainda estou salvo, correto? Afinal, os meus pecados foram perdoados com certeza. Está feito!


Evangelista: Sim, isso é provavelmente o que você diria, e você estaria errado. Mas isso porque eu teria enganado você. As boas novas que Jesus tem para você antes de você crer nele não é que seus pecados foram certamente cancelados. As boas novas é que Jesus realmente propiciou a ira de Deus, e realmente perdoou os pecados do seu povo. Está consumado. E isso é o que eu ofereço a você. É completo. É glorioso. E a promessa absoluta de Deus a você é: É tudo seu, se você receber a Cristo. Creia no Senhor Jesus Cristo, e você será salvo.

Autor:  John Piper



sábado, 28 de dezembro de 2013

QUANDO O POVO DE DEUS PERDEU A BATALHA

E os filisteus, ouvindo a voz de júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial. I Samuel 4:6

Então, naqueles dias o povo Israelita saiu e acampou junto a Ebenézer (pedra de ajuda) para lutar contra o povo Filisteu que acampou em Afeca. Os filisteus se preparam e colocaram-se em ordem para lutar, ferindo aproximadamente quatro mil soldados de Israel, Os Israelitas perderam a batalha.
Aqueles que ficaram vivos fugiram para o acampamento, quando os Lideres Israelita viram o que aconteceu, Questionaram porque o Senhor Deus deixou que os Filisteus os vencessem? Apressadamente, providenciaram buscar a arca da aliança do Senhor de Siló para o arraial onde eles estavam.
Trouxeram à arca e os dois filhos do Sacerdote Eli vieram juntos. Quando a arca chegou ao acampamento, o povo de Israel gritou com tanto júbilo que a terra tremeu. Os Filisteus ouviram os gritos e começaram a perguntar o que se sucedia. Quando souberam que arca do Senhor estava no arraial do povo de Israel ficaram com medo, eles temiam porque nunca algo assim havia acontecido, a presença de Deus estava ali junto ao povo. Os filisteus começaram a temer de tamanha forma, pois, sabiam do que o Deus de Israel podia fazer, eles conheciam o que Este Deus já havia feito no Egito, sabiam sobre as pragas que havia acontecido lá, e dizia: Ai de nós!  Quem nos livrara deste Deus? E Começaram a incentivar os seus guerreiros que lutassem para não se tornarem escravos do povo de Israel, pois os Israelitas já tinham sido escravos dos Filisteus, os Filisteus então, temiam o que podia lhes acontecer. Saíram e lutaram contra os Israelitas, isto ocasionou a morte de mais de trinta mil soldados de Israel, muitos outros ficaram feridos, e outros, fugiram, sucedendo uma destruição. Os Filisteus roubaram a arca do Senhor que estava no arraial de Israel, matando também os filhos de Eli. I Samuel 4: 1; 11
Aqui está uma lição grandiosa para nossas vidas.
Sobre a arca, o que havia dentro da dela, porque ela era tão preciosa. Uma caixa de madeira revestida de ouro Êxodo 25. Havia ali uma bacia de ouro com o maná que Deus enviou no deserto, as tabuas da lei que o Senhor entregou a Moises e a vara de Arão. E a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança; Hebreus 9:4, na cobertura da arca estavam os querubins. Os querubins são seres com asas e forma de gente e de animais. Estes representam a presença, a grandeza e a majestosa gloria de Deus. E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro. Assim eram os seus rostos. As suas asas estavam estendidas por cima; cada qual tinha duas asas juntas uma a outra, e duas cobriam os corpos deles. Ezequiel 1:10-11, Então, onde aquela arca estava, havia a  presença de Deus, consequentemente todo o povo era abençoado.
Porém, neste trecho, prevalecem mais o que está escrito em Lucas 16:8, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.
Vamos analisar alguns pontos:
1.     O despreparo para a guerra - E os filisteus se dispuseram em ordem de batalha, para sair contra Israel; 1 Samuel 4:2. Tanto o Exercito Israelita, quanto o exercito inimigo, sabiam que teriam que lutar, mais o exercito do inimigo teve prudência e foi sagaz. Eles se preparam se colocaram ordenadamente, ficaram na posição para guerrear. Enquanto o exercito Israelita saíram de qualquer jeito, não se preocuparam nem se preveniram eles acharam que o fato deles ser um povo escolhido por Deus não precisaria se preparar, podiam ir aleatoriamente, estavam autoconfiantes, foram derrotados.

1.     Culpou a Deus pela derrota - Por que nos feriu o Senhor hoje diante dos filisteus? ISamuel 4:3, Os Israelitas vacilaram, foram inconsequentes não perguntaram a Deus se podia ir, quando foram derrotados, atribuiu a culpa a Deus, eles transferiam para Deus os seus fracassos. Percebam; foram cometidos dois lapsos dentro deste erro. Primeiro Deus não tinha os mandado ir. Segundo, Deus nunca manda um soldado para uma guerra sem ele estar preparado. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Efésios 6:11, Se Deus não nos mandar ir, e melhor ficarmos onde estamos para não sermos acoitados pelo inimigo.

1.     Os Israelitas foram covardes - E voltando o povo ao arraial, 1 Samuel 4:3, quando viram alguns dos companheiros feridos, quando a guerra ficou intensa, no momento de avançar,  eles recuaram, apesar de saberem que o Deus de Israel não perde batalha e que eles se diziam seu povo, fugiram, foram frouxos, tiveram medo do exercito do inimigo, esqueceram que Deus só da à vitória para aqueles que lutam até o fim. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mateus 24:13. Aqueles que estão em uma batalha, jamais podem recuar. Cada passo que se dar regressivo em uma batalha é uma injeção de animo no coração do inimigo.

1.     Agiram por impulso - Tragamos de Siló a arca da aliança do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos. 1 Samuel 4:3, O desespero fez com eles agisse inconsequentemente, mais uma vez, não pararam para perguntar a Deus o que devia fazer já que muitos dos seus foram mortos. Agiram conforme o que lhes pareciam ser o certo, mais nem tudo que pensamos ser correto é a vontade de Deus. O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos. Provérbios 16:9. Muitas vezes, o nosso achismo a nossa precipitação podem ser armas para que o inimigo nos vença. Notem, que de certa forma, eles limitaram o agir de Deus, estava andando por vista e não por fé, Porque andamos por fé, e não por vista. 2 Coríntios 5:7, eles sabia que a arca representava a presença de Deus, onde ela estivesse a vitória era garantida. Só que, não adianta ter arca por perto se não confiar no Deus da arca, torna-se um amuleto, Aquele que crê no Senhor não viver por sorte mais pela confiança no Deus altíssimo.

1.      Falta de vigilância, erros em serie - E sucedeu que, vindo a arca da aliança do Senhor ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu. 1 Samuel 4:5,  vejam que, quando a arca estava no meio deles, ao invés de se organizarem e ficarem atentos, eles  relaxaram, todos começaram a festejar sem desempenhar sentinelas, entraram em jubilo e a euforia tomou conta de todos. Os verdadeiros guerreiros mesmo em tempo de comemoração, jamais ficam displicentes, inertes, sua atenção avulsa quando surge qualquer movimento. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Novamente, eles não souberam organizar-se, não criaram estratégia, mesmo sabendo que muitos dos seus já haviam morrido por falta de vigilância, eles, continuavam agindo com incoerência, não atentaram que, quando se tem uma vitória é então, neste período é que mais precisamos está em alerta, pois o inimigo não irá gostar de ver seu adversário comemorando vitorias, irá tramar de todas as formas contras as nossas vidas, e obviamente, ele usara métodos que ainda não foram utilizados, e se não estivermos na posição correta seremos destruídos. Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. 1 Coríntios 16:13.

1.     Os Israelitas não conheciam de fato seu Deus - Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto.1 Samuel 4:8. Vejamos que o povo inimigo, conhecia mais do Deus da arca do que aqueles que estava com ela. O inimigo tinha mais medo do que Deus podia fazer contra eles do que o Povo de Deus certeza do que Deus faria em seu favor, e, a incerteza leva ao precipício. O nosso adversário conhecem e teme mais a Deus do que aqueles que dizem ser seu povo. Também os demônios o crêem, e estremecem. Tiago 2:19, O opositor sabia muito mais do poder sobrenatural que Deus tinha do que aqueles que diziam ser Dele.

1.     A Inteligência inimiga - Esforçai-vos, e sede homens, ó filisteus, para que porventura não venhais a servir aos hebreus, como eles serviram a vós; sede, pois, homens, e pelejai. 1 Samuel 4:9, enquanto o povo Israelita festejava o inimigo tramava para os derrotar, vede que, aquilo que Israel devia fazer, quem estavam fazendo foi o adversário, eles incentiva uns aos outros, os encorajam a lutar, animava, contra partida os Israelita estavam dispersos. As forças do mal se unem com mais intensidade quando o intento é destruir aquilo que é de Deus, por isso que é fundamental estarmos sob a sombra do todo poderoso.

1.     As Consequências do erro - Então pelejaram os filisteus, e Israel foi ferido, fugindo cada um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que caíram de Israel trinta mil homens de pé. 1 Samuel 4:10, quando o exercito de Deus fica disperso os soldados do inimigo fazem a festa, observe que, a persistência do inimigo foi o que deu a vitória a eles, quanto aqueles que deveriam ser persistente, fugiram. A falta de confiança destrói um exercito inteiro, a incapacidade faz a derrota crescer, tratar das coisas de Deus relaxadamente pode colocar em risco a vida dos que estão próximo a nós, porque certamente o inimigo avançara com força veloz. Antes, os Israelitas festejam. Por causa da negligencia eles agora choravam amargamente. Em uma batalha jamais devemos tira o foco daquele que pode nos dá a vitória, Deus, precisamos atentar para cada ordem que Ele nos dá, nunca esquecer que o nosso inimigo esta sempre planejando para nos destruir. Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;1 Pedro 5:8

1.     Quando falta a presença de Deus à morte pede passagem - E foi tomada a arca de Deus: e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram. 1 Samuel 4:11, Se Deus não estiver no negocio, tudo que formos fazer corremos o risco de sermos aniquilados pelo mal, se a presença de Deus não estiver conosco e inútil lutarmos. Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Salmos 127:1

Que aprendizado para as nossas vidas! Nunca devemos querer fazer alguma coisa sem planejamento, sem um alicerce, principalmente ao que refere-se às coisas de Deus, vivemos em batalha constante, precisamos estar preparados para enfrentar o inimigo todos os momentos, temos que lutar constantemente, jamais  devemos fazer algo sem pedir a autorização de Deus, jamais podemos agir por nossas próprias forças, se confiamos em Deus, precisamos saber o que Ele quer de nós, não podemos por em risco a vida dos nossos por causa da nossa insensatez, formos chamados para sermos guerreiros do Senhor, então a nossa capacitação provêm Dele e por Ele. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; 2 Coríntios 10:4, precisamos nos revestir sabiamente, Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Efésios 6:13, em tempo de guerra jamais parar de combater, jamais querer voltar atrás, aquele que esta conosco é quem nos garante a vitória.
Hoje, pelo Sacrifício de Jesus na Cruz do Calvário, Eu e Você somos a arca de Deus, somos a caixa de onde flui a presença de Deus. De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. Hebreus 7:22, Enfrente o inimigo, jamais recue, Deus é contigo, Creia, Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Hebreus 10:38, continue firme, confie, Jesus já venceu por você, lute e tome posse. Em Cristo Jesus você vai conseguir, porque as forças das trevas já foram aniquiladas através Dele, Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. Lucas 11:22.  Permaneça firme, Cingis os vossos lombos com a verdade, vista a couraça da justiça; calce os pés na preparação do evangelho da paz; coloque o escudo da fé, o capacete da salvação, a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; Efésios 6:14-17. Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança Efésios 6:18. Assim em todas as batalhas, serás mais que Vencedor.


Pastora Elza Carvalho


domingo, 22 de dezembro de 2013

As seitas satânicas: Uma realidade hoje





São muito poucos os autores que dão definição de seita satânica, principalmente por que tais grupos apresentam uma diversidade de estilos.

Devemos ser justos ao precisar que muitos autores partem da conotação de satanismo para logo tentar definir, a partir e características determinadas, as seitas satânicas.
Alguns autores apontam como seitas satânicas a todo esse "conjunto de ciências, semiciências, feitiçarias, ocultismo e práticas tenebrosas, que têm como centro a suposição de que o demônio é um ser poderoso ao que se deve render culto, porque ele pode nos dar bem-estar, riqueza e saúde".
Outros apontam que o perigo é que para muitos jovens o grupo satânico aparece como libertador, antes de tudo libertador da moral, das convenções sociais e dos códigos repressivos. Nos grupos, a práticas de desordens sexuais e de ritos repugnantes (esquartejar animais, beber seu sangue, etc.) produz uma libertação das proibições aprendidas na infância.
Quiçá a definição mais exata seja que a seita satânica é um grupo minoritário de pessoas reunidas premeditadamente com o objetivo de adorar ao demônio, como um ser com poderes sobrenaturais capazes de intervir no mundo.

Seus integrantes costumam ser principalmente pessoas com transtornos psicológicos e uma profunda rejeição frente a todas as instituições sociais estabelecidas, família, igreja, estado, etc.
As reuniões destas seitas se caracterizam pela realização de ritos que não são mais que paródias do rito cristão, preferentemente do Católico ou do Ortodoxo. Estes eventos têm significados ou utilidade de iniciação, dignidade, provas, rogativas ou festivos. Também as seitas são para muitos a evasão perfeita da responsabilidade pessoal ante determinadas ações.
Como elementos comuns podemos apontar que estejam conformadas por poucos membros, a intolerância, a oposição nas esferas social-política e religiosa. Como características privativas delas podemos mencionar a adoração em culto a satanás, "a inversão da ordem sagrada ortodoxa", ensinamento esotérico, "a trindade demoníaca (a Besta, o Anti-Cristo, o Falso Profeta)" e a alteração de orações e credos cristãos.


Quais são as seitas?

Em primeiro lugar da classificação indicamos as "Seitas Luciferinas" que acreditam que Lúcifer foi tratado injustamente pelo cristianismo, já que ele é o símbolo do conhecimento e a sabedoria sendo portanto a verdadeira luz, buscam o poder, o dinheiro e as influências. Uma de suas principais características é o segredo de suas atividades. Seu rito central é a missa negra ou vermelha e costumam ter uma forma anarquista de ver a vida.
Em segundo lugar estão as seitas Satanistas conformadas por indivíduos de nível intelectual médio-alto, normalmente profissionais ou empregados de mandos meio conhecedores de diferentes matérias esotéricas sendo "seu forte" tudo o que tenha relação com a astrologia e a magia.
Apresentam uma estratificação particular baseada no nível de "dignidade" ou compromisso de seus membros. Não costumam ser confrontantes, não se reconhecem a si mesmos como integrantes de uma seita, mas de uma religião que foi incompreendida e perseguida pelos cristãos. Pertencem a este nível de classificação seitas como "A Igreja de Satã", "O Templo de Set", entre outras.
Em terceiro lugar da classificação indicamos aos "Adoradores de Set" ou "Amigos de Lúcifer" que podem, e de fato têm sido , vistos como as mais perigosas. São constantemente relacionados com seqüestros, abusos sexuais, indução a suicídios e inclusive a homicídios. São características delas mostras de "fidelidade e dignidade" como o seqüestro de cadáveres, beber sangue, a exposição sexual e atos tão aberrantes como a necrofagia e a necrofilia.
Mais uma vez devemos enfatizar ao apontar que esta classificação pode ser considerada como válida, mas, sob nenhuma perspectiva como absoluta já que em algumas seitas satânicas se dão ou podem chegar a dar-se, a mistura de características de um ou outro grupo e inclusive a gerar em seu interior uma nova variante. 


Sua Existência


Para falar das causas da existência das seitas satânicas, devemos partir, que desde sempre o homem se sentiu fascinado pelo misterioso, maravilhado pelo sobrenatural, inclinado à magia por meio da qual espera encontrar respostas a seus questionamentos ou a satisfação de suas carências.
Igualmente podemos apontar que, se as seitas satânicas existem, deve-se em grande parte ao mal uso que o homem tem feito de sua liberdade, a que tem encaminhado na busca de experiências mágicas que em curto prazo se transformam em experiências daninhas que o conduzem ao afastamento de Deus, dos homens, da Igreja e, consequentemente, da realidade.
Como estas e outras possíveis causas podem "somar e seguir", entretanto optamos por nos referirmos também, não somente a aquelas causas de índole existencial individual, mas também a aquelas do âmbito social; para isso consideramos tratar de cinco fatores chaves para o surgimento e proliferação destes grupos. 

Os fatores são o político, desemprego, violência urbana, marginalidade e desagregação familiar, esta escolha não deve conduzir nem reduzir nosso pensamento exclusivamente a esses fatores posto que sem dúvida existem muitos outros possíveis elementos ou fatores causadores de que estes grupos sejam uma realidade.



Perfil psicológico

O perfil psicológico dos membros de uma seita costuma ser geralmente os mesmos como são a total rebeldia, a morbidez e as experiências extremas.
Um lar relativista e principalmente anti-religioso são o 'caldo de cultivo' para que os valores e a promoção pessoal vá decaindo, chegando inclusive a não ter importância nada mais que o viver o momento.
Isto tem conduzido à concepção de que tudo é relativo, que a vida é um passar com um sentido puramente transitório. O que antes era 'as diversões de fim de semana' passou a ser um sistema de vida onde deve-se viver a maior quantidade de emoções no menor prazo possível, porque a vida pode se acabar em qualquer instante.

Entretanto, esta é posição exterior, a que muitas vezes não responde à interior. Interiormente o indivíduo pede um respaldo, uma ajuda ou uma companhia, esteja presente um forte déficit emocional, o sem sentido da vida que os rodeia não é mais que o produto da ausência das pessoas que são parte importante de suas vidas daqueles que os protegem frente aos acontecimentos adversos.

Suas personalidades enormemente inseguras os faz estar à espera de algo que os confirme, já não importa em quê, mas que o faça. Sentem que os calços normais há não são suficientes pelo que é necessário descobrir algum tipo de poder superior que consiga 'despertar esta sociedade tonteada por si mesma e afogada em seu próprio ser',
São freqüentes nestas pessoas a depressão, o consumo de álcool e drogas, elementos que levam a um estado de esquizofrenia ou paranóia. É necessário assinalar que o perigo destas patologias é tornar-se evidentes somente em um estado avançado, pois sua detecção não é fácil à primeira vista.
De igual modo os sintomas próprios delas podem passas despercebidos chegando a ser considerado, muito comum entre as pessoas, o sujeito como um indivíduo norma e em seus seguidores como um 'iluminado'.


O que diz a Igreja

A resposta da Igreja Católica, em relação ao demônio, suas ações e suas manifestações tem sido através da história da humanidade muito enfática.
Dentro da atitude da Igreja Católica frente ao satanismo se fazem necessárias e imprescindíveis o reconhecimento da existência do fenômeno.
Não se pode continuar pensando que não se dá o fenômeno em nossas sociedades ou comunidades: existem grupos organizados, inclusive com estruturas de caráter internacional, ou grupos que têm influência deles.
Também tem que existir um conhecimento do fenômeno. Deve haver alguém que o estude e possa dar informações convenientes e sérias aos agentes pastorais, assim como aos membros das comunidades.
Esse conhecimento não pode ser uma simples informação, mas que deva concluir em uma tomada de posição desde a fé; isso levará em quem realiza a investigação, como em quem se serve dela, uma profissão de fé na ação pascal da Igreja.
Também requere-se duas coisas: a primeira é que a informação que se ofereça às pessoas vá também acompanhada da postura da Igreja e de ensinamentos doutrinais muitos claros e seguros; em segundo lugar, que quem faz a investigação tenha maturidade espiritual, humana e psíquica necessária, para evitar fracassos ou problemas subseqüentes.
Com uma consciência missionária e com sentido de compromisso evangelizador, a Igreja tem que ir ao encontro dos mais frágeis, para oferecer-lhes a fortaleza da graça de Deus e a claridade da luz de Cristo. Isto exigem não somente acudir a eles, mas também acompanhá-los com sentido pastoral e de maneira contínua. Assim mesmo implicará, com sã imaginação pastoral, dar-lhes novos caminhos (os da palavra de Deus) e esperança de crescimento, convidando-os a que sua decisão seja também clara por partes deles e assim se arrisquem a seguir Jesus.
Uma das ações que a Igreja deverá fortalecer nos próximos tempos é a de aprofundar na catequese das crianças, adolescentes e jovens. Catequese contínua, catequese profunda: um convite a assumir a própria responsabilidade da fé. Catequese capilar para que penetre em todos e em todo o ser humano: que o faça vibrar com a palavra de Deus e o conduza a uma opção fundamental por Cristo.
Uma pastoral juvenil adequada e que responda aos desafios do momento. Uma profunda ação evangelizadora que fará dos jovens melhores e mais seguros seguidores de Cristo, lhes permitirá conhecer os inimigos que têm a seu redor e tomar posturas frente a eles desde uma opção de fé.
Deve-se anunciar a tempo e a destempo, valendo-se de todos os meios de que dispomos. Assim anunciaremos a força salvadora do Cordeiro vencedor do demônio.


Nosso tempo

A cultura atual se vê marcada por fatos que lamentavelmente a afastam da esfera das crenças. Já, tanto nossa sociedade, como nossa cultura, não têm a religião por centro unificador, mas seu centro localiza-se no homem e no que este pode conseguir por si mesmo, exercitando unicamente sua razão.
Este e outros motivos tem ajudado à proliferação das seitas, posto que o indivíduo sente a necessidade de algo que responda seus questionamentos mais profundos; é assim como produto desta busca que aparecem novos movimentos religiosos ou pseudo-religioões. São característicos deste momento movimentos espirituais -esotéricos tais como o da Nova Era.
É um fato inegável destes tempos a subjetividade e o relativismo que envolve decisões humanas, mas ao mesmo tempo o desejo desta humanidade de transformar a realidade social e individual, respondendo à questões que o inquietam, despertando questionamentos; em síntese buscando a melhor maneira de adequar a posição de homens de fé à situação cultural reinante, a qual tem como grande influência o avanço das ciências e da técnica.
Cada acontecimentos desta cultura 'moderna' pode conduzir a passos gigantescos à total ruptura entre fé-ciência, entretanto, hoje contemplamos o como tornam-se cada vez mais presente facilidades para o diálogo entre a cultura e a Igreja. Existe a tomada de consciência desta necessidade; falta quiçá a adequação aos novos tempos, não somente da Igreja, mas também do homem como indivíduo imerso em uma sociedade que dia a dia tem menos tempo para a reflexão e a busca do princípio primeiro e fundamental de nossa humanidade.
Falar de satanás não é fácil mesmo quando o encontramos presente no instante de nossa criação; é assim como em nossa cultura, para alguma moderna para outros pós moderna, enfrentamos a indiferença, o medo ou a negação da existência deste ser criado e caído.

A Igreja desde sempre reconheceu e afirmou a existência de satanás como criatura de Deus; isto, entretanto, tem sido objeto de controvérsias no interior dela. Foram muitos os teólogos que trabalharam sobre o demônio, mas ainda sim, não podemos afirmar certamente se todos e cada um deles reconhecem e afirmam a existência de satanás com criatura.





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Como Evitar Desequilíbrios Religiosos







A operação do Espírito, no coração humano, não é inconsciente nem automática. A vontade e a inteligência humana devem ceder e cooperar com as benignas intenções de Deus. Penso que é neste ponto que muitos de nós se perdem. Ou tentamos nos tornar santos, e, então, falhamos miseravelmente; ou, então, procuramos atingir um estado de passividade espiritual, esperando que Deus aperfeiçoe nossa natureza, em santidade, como alguém que se assentasse esperando que um ovo de pintarroxo chocasse sozinho. Trabalhamos febrilmente para conseguir o impossível, ou não trabalhamos de forma alguma. O Novo Testamento nada conhece da operação do Espírito em nós, à parte de nossa própria resposta moral favorável. Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:

1) Quando, em nossa determinação de nos tornarmos ousados, nos tornamos atrevidos. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sacerdote: “Deus há de ferir-te, parede branqueada”. No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).


2) Quando, em nosso desejo de sermos francos, tornamo-nos rudes. Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).

3) Quando, em nossos esforços para sermos vigilantes, ficamos a suspeitar de todos. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.

4) Quando tentamos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente. “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).

5) Quando tencionamos ser conscienciosos e nos tornamos escrupulosos em demasia. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa auto-tortura é uma prova de piedade.

Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à toda raça humana), pregando o “meio-termo áureo”, o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.


 Arthur W. Pink