sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A tolice de tentar agradar a homens






1. Lembrem-se de que multidão vocês têm para agradar; e quando vocês agradarem a alguns, quantos mais permanecerão insatisfeitos, e quantos ainda permanecerão insatisfeitos depois que vocês derem o seu melhor. 

Infelizmente somos completamente inaptos para observar a todos que nos observam e que se agradariam de nós. Vocês são como alguém que só tem 12 moedas no bolso e mil mendigos vêm rodeá-los em busca delas, e cada um deles ficará insatisfeito se não puder ter todas elas. Se vocês decidirem dar tudo que tem para os pobres, e fizerem isso para agradar a Deus, vocês poderão atingir seu objetivo. Mas se vocês derem tudo para agradar a eles, quando tiverem agradado aqueles poucos que receberem alguma coisa, talvez o dobro deles irá insultá-los e amaldiçoá-los porque não ganharam nada. O mendigo que for mais rápido irá declarar que vocês são generosos, e o que for mais lento proclamará que vocês são mesquinhos e impiedosos. Dessa forma vocês terão mais gente para ofendê-los e desonrá-los do que para confortar-lhes com seus elogios, se é que era esse o conforto que vocês buscavam.


2. Lembrem-se que todos os homens são tão egocêntricos, que as suas expectativas serão sempre mais altas do que vocês jamais serão capazes de satisfazer. 

Eles não considerarão suas dificuldades, afazeres, ou o que quer que vocês façam pelos outros. A maior parte deles procurará ter tanto para si como se vocês não tivessem ninguém mais para pensar a não ser neles. Muitas e muitas vezes, quando tive uma hora do dia para gastar, uma multidão (cada um deles) esperava que eu passasse aquela hora consigo. Quando eu visito um, freqüentemente há dez que se ofendem porque não estou visitando-os na mesma hora. Quando estou falando com um, muitos outros se ofendem porque não estou falando com eles ao mesmo tempo. Se aqueles com quem converso me consideram cortês, humilde, e respeitável, aqueles com quem não consegui conversar, ou só pude dirigir uma palavra, me considerarão descortês e antipático. Quantos já me censuraram porque não lhes dei o tempo que Deus e a minha consciência me mandaram gastar em algum trabalho maior e mais necessário! Se vocês têm algum cargo ou função para preencher, ou um privilégio para conceder, que só uma pessoa pode receber, todos se consideram os mais indicados para recebê-lo. E se você agradou aquele que recebeu, deixou insatisfeitos todos os outros que nada receberam e foram privados dos seus desejos.
"Quando eu visito um, freqüentemente há dez que se ofendem porque não estou visitando-os na mesma hora."


3. Vocês têm um grande número de pessoas para agradar que são tão ignorantes, irracionais e débeis, que consideram suas maiores virtudes como defeitos e que não sabem distinguir quando vocês fazem alguma coisa boa ou ruim. 

E não há ninguém que censure tão severamente como aqueles que menos entendem as coisas que estão censurando. Muitas e muitas vezes meus sermões e os de outros foram criticados, e abertamente difamados, por aquilo que nunca esteve neles, devido a ignorância ou falta de atenção de algum ouvinte mais crítico. Até mesmo por aquilo que os sermões falavam contra acabavam sendo repreendidos porque nunca foram compreendidos. Especialmente aqueles sermões com um estilo fechado, livre de tautologia, em que cada palavra precisa ser muito bem definida para evitar confusão, serão freqüentemente distorcidos e atacados.


4. Vocês terão muitos zelotes facciosos para agradar que, sendo estranhos ao amor à santidade, à cristandade e à unidade, são governados pelo interesse por alguma opinião ou grupo.

E esses nunca estarão satisfeitos com vocês a não ser que vocês venham para lado ou partido deles, e se adaptem às suas opiniões. Se vocês não forem abertamente contra eles, mas procurarem reconciliar a todos e pôr um fim nas diferenças da igreja, eles os odiarão por não promover as opiniões deles e ainda enfraquecê-los através de abomináveis sincretismos. Assim como na guerra civil, também na guerra eclesiástica os atiçadores não conseguem suportar os pacíficos. Se vocês forem neutros, serão considerados inimigos. Ainda que vocês dêem o máximo por Cristo, pela santidade e pela fé comum, tudo isso será nada, a não ser que vocês sejam também por eles e seus conceitos.


5. A maior parte do mundo é formada por pessoas que odeiam a santidade e tem uma sagaz inimizade contra a imagem de Deus, não tendo sido renovadas pelo Espírito Santo. 

Esses não se agradarão de vocês a não ser que vocês pequem contra o Senhor, e ajam como eles agem. 1 Pedro 4:3-5, "Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos." Se vocês lhes falarem sobre o seu pecado, vocês serão considerados como Ló entre os sodomitas, homens ocupados que chegam entre eles fazendo as vezes de juiz, para controlá-los. Se vocês não forem tão maus quanto eles são , vocês serão chamados de arrogantes, metidos e hipócritas (ou talvez algo pior). O mesmo ocorrerá se vocês, por sua abstinência (mesmo que não digam nada), parecerem repreender a sensualidade e o desrespeito a Deus que eles demonstram. Entre os insanos vocês precisam bancar os insanos se quiserem escapar das suas presas injuriosas. Será que vocês podem ter alguma esperança de agradar a homens assim?
"Pecadores inveterados negam-se a ir para o inferno sozinhos. É um tormento para eles verem outros em melhor estado que o seu."


6. Entre aqueles que precisarão agradar, vocês se depararão com inimigos satânicos de Deus, e homens de consciência cauterizada e perversa, os quais são maliciosos e cruéis, e não ficarão satisfeitos com nada a não ser com alguma iniqüidade terrível, e com a destruição de das almas de vocês, e com a possibilidade de levar outros à perdição. 

São como aquele monstro de Milão, que quando punha de joelhos seu inimigo, o fazia blasfemar contra Deus na expectativa de salvar sua vida, e então o apunhalava considerando aquela uma justa vingança, pois matava o corpo e condenava a alma de uma só vez. Há no mundo aqueles que farão tão abertamente o trabalho do diabo, que corromperiam as consciências de vocês com os mais horríveis perjúrios, perfídias e impiedades, a fim de triunfar sobre suas miseráveis almas. Se vocês responderem a eles que não podem agradá-los, a não ser sendo desonestos e desagradando a Deus e pecando contra o conhecimento e a consciência, e pondo em risco a sua própria salvação, eles retrucarão apenas com um gracejo zombeteiro diante desses argumentos e esperarão que vocês aventurem suas almas em seguir suas opiniões, e se preocupem tão pouco com Deus e suas almas quanto eles mesmos fazem. Pecadores inveterados negam-se a ir para o inferno sozinhos. É um tormento para eles verem outros em melhor estado que o seu. Aqueles que são cruéis e impiedosos consigo mesmos, e não têm pena de suas próprias almas, mas as vendem por uma prostituta, ou por uma promoção, ou por honra, ou por prazeres sensuais, dificilmente terão misericórdia da alma alheia: Mateus 27:25, "E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!"


7. Vocês terão homens duros, implicantes, não caridosos e injustos para agradar; os quais farão com que "por causa de uma palavra condenam um homem, os que põem armadilhas ao que repreende na porta, e os que sem motivo negam ao justo o seu direito." Isaías 29:20,21. 

Esses não têm nenhum traço daquela caridade que cobre faltas e interpreta palavras e ações favoravelmente. Também não têm nada daquela justiça que faz com que um homem faça aos outros como quer que lhe façam, e julgue ao próximo como gostaria de ser julgado. Entretanto, como julgam sem misericórdia, provavelmente serão julgados sem misericórdia. Eles ficam felizes quando encontram algum assunto em que possam repreendê-los e quando encontram um (verdadeiro ou falso) eles jamais o esquecerão, mas insistirão nele como a mosca insiste em voltar ao local infectado.


8. Vocês terão que agradar pessoas passionais, cujos julgamentos são cegados, e que não são capazes de serem satisfeitas. 

São como o doente e ferido que sente dor a qualquer toque e que, por fim, como disse Sêneca, sente dor com a própria presunção de que foi tocado. Como podem agradar a esses se a insatisfação é a sua enfermidade, que habita no interior deles, no âmago do seu próprio coração?


9. Vocês verão que a disposição de condenar e criticar é um hábito comum, e apesar de poucos serem competentes para julgar as ações de vocês, por não estarem suficientemente a par da sua rotina diária, praticamente todos se aventurarão a reprová-los. 

Um entendimento orgulhoso e presunçoso é um defeito muito comum. Esse tipo de conhecimento se considera capaz de julgar qualquer coisa assim que ouve apenas uma pequena porção do tema, e não tem consciência de sua própria falibilidade, apesar de experimentá-la diariamente. Poucos estão perto de vocês e nenhum no seu coração, de forma que todos desconhecem as circunstâncias e as razões de tudo que vocês fazem. Também não ouvem o que vocês têm a dizer por si mesmos e mesmo assim insistem em censurá-los, sendo que talvez os tivessem absolvido se ao menos ouvissem as suas explicações. É raro encontrar alguém, mesmo entre aqueles que professam a maior sinceridade e que são muito cuidadosos e zelosos de não pecar, que não tenha a capacidade ou o chamado para executar esse tipo de julgamento precipitado e desprovido de fundamento.


10. Vocês vivem entre tagarelas incontroláveis e contadores de histórias que divertem outros lançando acusações contra vocês. Quem é que tem ouvidos e nunca teve algum desses vermes tentando ocupar-se deles? 

Talvez um ou outro homem mais correto, cuja face zangada espantou essas línguas fofoqueiras pra longe de si. E tudo que é coisa será dita nas costas de vocês quando não tiverem como responder. E se houver um homem a quem os ouvintes estimam, e que acuse e calunie vocês, então eles acharão correto acreditar nele. E a maioria daqueles que são amigos desse homem, ou do seu partido, ou têm interesses semelhantes, certamente o considerarão honesto e portanto crerão nele. E não é incomum uma pessoa sábia, inteligente e piedosa se precipitar em repetir algum relato da boca de outros e aí o ouvinte pensa que está totalmente justificado em acreditar nela e repassar a mesma história a outros. O próprio Davi, pela tentação de Ziba, foi levado a injustiçar Mefibosete, o filho do seu grande e digno amigo. 2 Sm. 16:3. Não surpreende então, que Saul tenha dado ouvidos a Doegue, para amaldiçoar Davi e matar os sacerdotes. Pv. 18:8 "As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre." Pv. 26:20 20 "Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda." E enquanto esses estiverem ainda perto dos homens e vocês longe, é fácil para eles persistirem nas mais odiosas representações das mais louváveis ações de uma pessoa.
"Experimentem servir aos homens da forma mais submissa e cuidadosa que puderem e, ao final, algum acidente ou a frustração de alguma das injustas expectativas nutridas por eles fará com que tudo o que vocês já fizeram seja esquecido."


11. A imperfeição do entendimento e da piedade dos homens é tão grande, que mesmo as mais sensatas diferenças de julgamento, levarão à injúria e ao desprezo aos irmãos. 

Alguém está plenamente confiante de que sua visão é a correta, outrem está plenamente convencido do contrário. Quem não percebe a que contendas e insultos essas diferenças conduzem, já tendo um certo tempo de vida, não perceberá jamais. Não precisamos ir a Paulo e Barnabé para um exemplo (esse foi um caso bem mais leve); nem a Epifânio, Jerônimo e Crisóstomo; nem àquelas eras trágicas daqueles bispos conflituosos, que viveram antes de nós na igreja oriental e ocidental: cada um pensando que sua causa era tão clara que o justificava em tudo que dizia e fazia contra os que ousavam pensar de forma diferente. E certamente vocês devem esperar certo desconforto por parte de homens bons e cultos, quando a igreja sente tão terríveis choques, sangrando até hoje em divisões tão horrendas, por causa dos restos daquele orgulho e ignorância de que seus reverendos guias continuam sendo culpados.


12. Vocês terão homens de grande inconstância para agradar. Em um momento eles estarão prontos a louvá-los como se fossem deuses e no instante seguinte prontos para apedrejá-los como se fossem demônios; como fizeram com Paulo e com o próprio Cristo.

Que inconstante é a mente do homem! Especialmente a mente dos comuns e mundanos! Passem todos os dias da sua vida construindo sua reputação sobre essa areia e um único sopro de vento ou de tempestade a derrubará e todo o seu esforço e trabalho estará perdido. Experimentem servir aos homens da forma mais submissa e cuidadosa que puderem e, ao final, algum acidente ou a frustração de alguma das injustas expectativas nutridas por eles fará com que tudo o que vocês já fizeram seja esquecido. Então vocês deixarão este mundo com o lamento de Wolsey: "Se eu tivesse servido a Deus com a fidelidade que servi ao homem, teria sido melhor recompensado, em vez de ser abandonado na minha agonia." Quantos já caíram pelas mãos ou olhares carrancudos daqueles cujo favor haviam encarecidamente adquirido, talvez pagando o preço da sua própria salvação! Se algum dia vocês puserem tanta confiança em um amigo, sem considerar a possibilidade dele vir a se tornar algum dia um inimigo, então vocês não conhece os homens; e talvez sejam levado a conhecê-los melhor, pagando um alto preço.


13. Todo homem será envolvido, inevitavelmente, pelo próprio Deus, em alguns deveres que correm o risco de ser mal interpretados e que têm uma aparência externa de coisas más. Com isso ofenderão aqueles que não conhecem todas as circunstâncias internas.

Assim, boa parte da história é pouco digna de respeito; porque as ações de pessoas públicas são julgadas com parcialidade por aqueles que escrevem sobre elas. Eles escrevem mais por ouvir dizer; ou só conhecem o exterior e as aparências das coisas, e não o espírito, a vida e a realidade do caso. Os homens não escolhem seus deveres. Deus os determina pela Sua Lei e providência. E muitas vezes Ele se agrada em provar seus servos dessa forma: muitas das circunstâncias de seus atos permanecem ocultos aos homens. Estes os justificariam se o soubessem, mas acabam considerando-os pessoas publicamente escandalosas, porque não as conhecem. Quão parecido com o mal foi o fato de os israelitas tomarem os bens dos egípcios! Assim também a tentativa de Abraão de sacrificar seu filho; também Davi comendo os pães da proposição e dançando quase nu diante da arca. Cristo comendo e bebendo com publicanos e pecadores, Paulo circuncidando Timóteo e a sua purificação no templo. Não é surpresa que José tenha pensado em abandonar Maria até que ele tivesse evidência da sua milagrosa concepção. E quão merecedora de reprovação ela era, por parte daqueles que não conheciam os fatos! Portanto, quão vazio é o julgamento do homem! E quão contrário ele é freqüentemente à verdade!  E com que cautela a história precisa ser lida!  E quão aguardado é o grande dia do Senhor, quando toda censura humana será censurada com justiça!
"Se eu aceito uma promoção sou ambicioso, orgulhoso e mundano. Se recuso, por mais humildemente que o faça, eles dirão que estou descontente e querendo criar confusão e discórdia. Se eu não pregar quando sou proibido de fazê-lo serei acusado de abandonar o chamado que recebi e obedecendo a homens, contrariando a Deus. Se eu pregar serei chamado de desobediente e rebelde."


14. A perversidade de muitos é tal que eles exigem de vocês coisas contraditórias e até impossíveis só para deixar claro que eles estão decididos a nunca gostar de vocês. 

Se João jejua eles dizem que "tem demônio", se Cristo vem "comendo e bebendo", dizem, "vejam um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores" Mateus 11:18,19. Se o julgamento e a prática de vocês adaptarem-se aos requisitos de seus superiores, especialmente quando estes mudam alguma coisa, vocês serão considerados meros aduladores e contemporizadores. Se não for assim, serão considerados desobedientes, rebeldes e sectários. Se vocês falarem moderada e gentilmente eles os chamarão de bajuladores e dissimulados. Se falar mais livremente, mesmo quando necessário, dirão que é grosseiro. Se eu aceito uma promoção sou ambicioso, orgulhoso e mundano. Se recuso, por mais humildemente que o faça, eles dirão que estou descontente e querendo criar confusão e discórdia. Se eu não pregar quando sou proibido de fazê-lo serei acusado de abandonar o chamado que recebi e obedecendo a homens, contrariando a Deus. Se eu pregar serei chamado de desobediente e rebelde. Se ajudar um amigo ou parente a conseguir uma posição para a qual ele não é adequado ou que irá prejudicar a outrem; se eu atendo-lhe o pedido, serei chamado de desonesto, que por parcialidade prejudiquei a outros. Se negar-lhe o desejo, serei considerado antinatural e não amigo, e pior que um infiel. Se eu der ao pobre enquanto tenho o que dar, serei reprovado ao parar de dar quando não tiver mais. Aqueles que não sabem se vocês têm ou não para dar, ficarão descontentes se vocês não derem e se por muitos anos vocês permanecerem dando livremente, será tudo considerado nada se tiverem que cessar, não importando se pararam porque seu estoque acabou ou porque outro teve que ser objeto da sua caridade. Se vocês sofrerem algum dano em relação aos seus bens e forem à justiça, dirão que são contenciosos; se vocês deixarem tudo como está e sofrerem o dano então dirão que vocês são tolos e idiotas. Se fizerem alguma obra de caridade à vista dos homens, dirão que são hipócritas e o fazem para receber aplausos; se fizerem secretamente, de forma que ninguém saiba, dirão que são cobiçosos e não têm boas obras e que apesar de professar a religião vocês não fazem o bem. Se vocês forem alegres e divertidos eles os reprovarão porque são levianos e fúteis. Já se forem mais sérios e tristes, serão chamados de melancólicos e descontentes. Em uma palavra, façam o que fizerem, tenham a certeza de que sempre alguns os condenarão. E fazendo ou não fazendo, falando ou calando, certamente vocês desagradarão e nunca escaparão das censuras do mundo.


15. Há entre os homens uma contrariedade tão grande de julgamentos, disposições e interesses que eles nunca concordarão entre si. 

E se vocês agradarem a um, o resto ficará descontente. Aquele que vocês agradarem é considerado inimigo para outro e, assim, vocês desagradam seu inimigo agradando a eles. Às vezes, diferenças de estado dividem reinos em partidos e um partido ficará descontente com vocês se vocês forem do outro, e ambos ficarão se vocês forem neutros ou não gostarem de nenhum dos dois. Cada partido acha que sua causa justifica qualquer acusação que façam contra vocês ou títulos odiosos que queiram lhes conceder e até mesmo sofrimentos que possam querer lhes infligir. Diferenças e grupos sempre existiram na igreja e vocês não podem ter a opinião de todos os partidos. Quando há tal abundância de conceitos, vocês não podem concordar com todas elas ao mesmo tempo. E se vocês forem de um partido, desagradarão os demais. Se aderirem a um lado em opiniões controversas, o outro lado os considerará hereges e é impressionante até que ponto os interesses deles podem levá-los. Metade do mundo cristão, nos dias de hoje, condena o outro lado de ser cismático, para dizer o mínimo; e a outra metade faz o mesmo com a primeira. E será que vocês podem ser papistas, protestantes e gregos, e tudo mais? Se não, vocês terão que desagradar tantos quantos agradam. E ainda mais, se homens inconstantes ficam mudando o tempo todo, eles esperam que vocês mudem tão rápido quanto eles, e qualquer que sejam seus interesses conflitantes vocês terão que segui-los. Em um ano vocês precisarão jurar e no ano seguinte terão que desfazer o juramento. Qualquer causa ou ação que eles abraçarem, por mais diabólica que seja, vocês terão que aprovar ou permitir, e tudo que eles fizerem vocês terão que dizer que é bem feito. Em uma palavra, vocês terão que treinar sua língua a dizer ou jurar qualquer coisa, e terão que vender sua inocência e colocar sua consciência totalmente a serviço deles, ou não poderão agradá-los. Micaías precisa dizer, com os outros profetas, "Vá e prospere", senão será odiado por não profetizar coisas boas para Acabe, mas somente coisas más. 1 Rs 22:8. E como poderão servir a todos os interesses de uma só vez? Parece que a providência divina embaralhou, de propósito, os assuntos do mundo, para tentar e envergonhar todos os que procuram agradar a homens e os contemporizadores que estão debaixo do sol. É evidente então, que para agradar a todos você precisa falar e ficar calado, ratificar contradições, estar em muitos lugares ao mesmo tempo, ter a mente e seguir o caminho de muitos homens. De minha parte, pretendo ver o mundo tendo um pouco mais de acordo entre si, antes de ter como minha ambição agradá-lo. Se vocês podem reconciliar todas as suas opiniões e interesses, o estado de coisas, as disposições, e fazer com que todos tenham uma só mente e vontade, só então passem a ter esperança de agradá-los.


16. Se vocês se sobressaírem em alguma qualidade pessoal ou atividade, mesmo isso não os isentará da difamação na direção oposta; tal é a irracionalidade dos homens maliciosos. 

Nada neste mundo pode proteger vocês das línguas fofoqueiras e difamadoras. A perfeita santidade de Jesus Cristo não o livrou de ser chamado de glutão, bebedor de vinho e amigo de publicanos e pecadores. O esplêndido desprezo que ele tinha pelas honras e pompas mundanas, e a sua sujeição a César, não evitaram que ele fosse ultrajado e crucificado como inimigo do imperador. A grande piedade dos antigos cristãos não os livrou de calúnias vulgares que diziam que eles se reuniam no escuro para cometer torpeza, e também não os livrou do clamor da turba: "Fora com os impíos", provocada porque os cristãos eram contra a adoração dos ídolos que eles idolatravam. Conheço pessoas que deram tudo o que tinham para os pobres, exceto a própria comida e mais algumas coisas indispensáveis, e ainda assim (apesar das coisas serem de valor considerável) foram reprovadas como tendo sido inclementes em relação àqueles que não receberam tanto quanto esperavam. Muitos, cujas vidas inteiras foram de castidade incorruptível, foram difamados por rumores escandalosos de impureza. Os mais eminentes santos foram difamados como culpados dos mais horrendos crimes, que nunca sequer passaram pelo pensamento deles. A coisa que eu mais busquei nos meus estudos e com que mais me preocupei sempre foi a reconciliação, unidade e paz entre os cristãos. Sempre escrevi contra a falta de amor, a turbulência e a divisão. Mas, surpreendentemente, há muitos cujo interesse e malícia os fez acusarem-me exatamente daquele pecado que gastei meus dias, meu zelo e meus estudos para atacar. Com que freqüência facções contrárias me acusaram com acusações perfeitamente opostas! Não consigo pensar em nada que eu faça neste mundo que deixe de ofender alguém; nem em deveres tão grandes e claros que não sejam chamados de pecado; nem numa auto-renúncia tão grande (mesmo com o risco da própria vida) que não seja chamada de egocentrismo; ou algo totalmente puro que não seja considerado exatamente o contrário. Portanto, em vez de servir a este injusto e malicioso mundo, eu desprezo as suas cegas e injustas censuras e recorro ao infinitamente justo Deus.


17. Se vocês planejam manter um nome honrado quando morrerem, considerem bem o poder que uma facção prevalecente pode ter de corromper a história da sua vida e representá-los para a posteridade de forma perfeitamente contrária àquilo que vocês são. 

E é difícil para a posteridade avaliar qual história é produto de mentiras maliciosas e vergonhosas, e qual é a verdade imparcial. Quantas histórias contraditórias há por aí sobre pessoas e ações particulares, escritas por homens da mesma religião: como é o caso do Papa Gregório VII e os imperadores que brigaram com ele; e sobre o Papa João, e muitos outros parecidos. Casos em que vocês podem ler grande quantidade de historiadores posicionando-se de um lado ou de outro.


18. Lembrem-se de que os maiores santos e apóstolos nunca puderam agradar o mundo, nem escapar das suas censuras, calúnias e crueldades. 

Não; nem mesmo o próprio Jesus escapou. E vocês acreditam honestamente que podem agradá-lo melhor que Cristo e seus santos puderam? Vocês não têm a sabedoria que Cristo tinha para agradar aos homens e evitar ofensas. Vocês não possuem a perfeita inocência e ausência de culpa que Cristo tinha. Vocês não podem curar as doenças e enfermidades deles, e fazer a eles aquele bem que poderia agradá-los e ganhá-los, como Cristo fez. Vocês não podem convencer e constranger a eles para que os reverenciem por seus muitos milagres como Cristo fez. E será que vocês podem imitar um padrão tão elevado como o estabelecido pelo santo, paciente, amoroso e infatigável apóstolo Paulo? Atos 20; 1 Cor 4; 9; 2 Cor 4; 5; 6; 10; 11; 12. Se não podem, como poderão agradar àqueles que não se satisfizeram com tais inimitáveis obras de amor e poder? Quanto mais Paulo amava alguns de seus ouvintes, menos ele era amado (2 Cor 12:15). Eles o consideraram um inimigo por lhes dizer a verdade (Gl 4:16). Apesar de ele ter se tornado todas as coisas para todos os homens, ele apenas pôde salvar alguns e agradar alguns (1 Cor 9:22). E o que são vocês para que sejam mais bem sucedidos que ele?
"Será que os homens serão satisfeitos por meio de coisas que eles odeiam?"


19. Piedade, virtude, e até mesmo honestidade, não agradam ao mundo e, portanto, vocês não devem ter esperanças de agradá-los com coisas que os desagradam. 

Será que os homens serão satisfeitos por meio de coisas que eles odeiam? E por meio daquelas ações que eles podem sentir que são as mesmas que os acusam e condenam? E se vocês forem ímpios e depravados para agradá-los, vocês estarão vendendo suas almas, suas consciências e seu Deus, só para satisfazê-los. Lembre-se que Deus e eles não se agradam dos mesmo caminhos. E qual dos dois vocês acham que deve ser satisfeito primeiro? Se vocês o desagradarem em favor deles, é certo que pagarão um alto preço.


20. Os homens não se agradam nem mesmo de Deus; aliás, ninguém desagrada a tantos, e tanto, como Ele. 

E será que vocês podem fazer mais do que Deus para agradá-los? Ou será que vocês merecem o favor deles mais do que Ele? Eles se desagradam dEle diariamente por causa da sua providência: um quer chuva enquanto o outro não quer. Um quer ventos para ajudar na sua viagem e o outro os quer soprando em outra direção. Um grupo fica desgostoso, porque outro está feliz e exaltado. Cada um dos adversários quer que a sua causa seja bem-sucedida e que a vitória seja sua, cada rival quer que tudo penda para o seu lado. Eles querem que Deus seja dirigido por eles e se adapte a eles e a seus interesses mais injustos, e à vontade dos mais depravados, e aja como se eles fossem donos dEle, e seja um servo dos seus prazeres. Se não for assim, eles não se agradarão dEle. E a Sua natureza santa, Sua imaculada Palavra, Seus santos caminhos, desagradam-nos mais ainda do que a sua providência do dia-a-dia. Eles ficam incomodados por Sua Palavra ser tão rígida e precisa, e porque Ele lhes ordena uma vida tão santa e disciplinada, e também porque Ele ameaça todos os ímpios com condenação. Deus precisa alterar suas leis, torná-las mais flexíveis, adaptá-las aos interesses carnais e às cobiças deles, dizer o que eles querem ouvir, antes que eles possam aceitar (a não ser que Ele transforme suas mentes e corações). E será que vocês imaginam que eles ficarão satisfeitos com Deus no final, quando Ele cumprir suas ameaças? Quando Ele os matar e tornar seus corpos em pó e suas almas culpadas forem lançadas no tormento e no desespero?
"Os homens não se agradam nem mesmo de Deus; aliás, ninguém desagrada a tantos, e tanto, como Ele."


21. Como vocês poderão agradar a homens que não se agradam a si mesmos? 

Seu próprio desejo e escolhas os satisfarão por muito pouco tempo. Como crianças, eles logo se entediam com aquilo pelo que clamavam. Eles precisam desesperadamente tê-lo, e quando têm, aquilo passa a ser como nada e é jogado fora. Não se satisfazem tendo e deixando de ter. São como pessoas enfermas que anseiam por todo tipo de comida e bebida, e quando finalmente podem tê-los não conseguem engoli-los, porque a enfermidade ainda está dentro deles e lhes causa desconforto. Quantos e quantos enfrentam problemas e atormentam-se por causa de paixões e bobagens dia após dia! E será que vocês conseguirão agradar a esses auto-destruidores?



22. Como poderão agradar a todos os outros homens se não podem agradar nem a si mesmos? 

Se vocês são pessoas tementes a Deus e sentem o fardo dos seus pecados, e têm vida suficiente para serem sensíveis às suas mazelas, eu ouso dizer que não há ninguém no mundo tão desgostoso de vocês quanto vocês mesmos. Vocês carregam consigo, e sentem no íntimo, aquilo que os desagrada mais do que todos os inimigos que possam ter no mundo. Suas paixões e corrupções, sua falta de amor a Deus, e a sua distância em relação a Ele e ao porvir; a imperfeição diária de seus deveres e sua vida, são o seu fardo diário, e os desagradam mais que tudo. E se vocês não são capazes, sábios e bons o suficiente para agradarem-se a si mesmos, poderão ser capazes, sábios e bons o suficiente para agradar o mundo? Assim como seus pecados estão mais próximos de vocês mesmos, assim ocorre com as suas graças; e assim como vocês conhecem mais maldade sobre si mesmos do que os outros, assim vocês conhecem mais bondade. Um pequeno fogo não aquecerá a casa se não consegue aquecer a lareira em que repousa.

Fonte: Extraído do site Fire and Ice - idéia proveniente do blog do Steve Camp



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O Nada é Matéria Prima para Deus!



No princípio criou Deus os céus e a terra.” Gênesis 1:1

O verbo “criar” no Português está associado aos verbos inventar, fundar, fazer, causar, educar... Sempre ouvimos ou lemos frases do tipo: “A área de marketing criou o novo slogan.”; “O criador da nova tecnologia ganhou um prêmio.”; “O processo de criação do desenho está explicado no tutorial.”; “A frase dele criou um problema.”; “Ela criou o filho com todo amor.”; “O pai criou um monstro com sua péssima educação.”.



Porém, no hebraico só há um significado para o termo “criar”. A palavra hebraica é bara (ברא) e significa “fazer aparecer do nada”, “criar sem auxílio de material pré-existente”, “fazer surgir sem matéria prima”.
Para que fique claro, no processo de criação divina, Gênesis utiliza quatro palavras diferentes:
a) Bara (Gênesis 1:1) [ברא] – criar do nada (só Deus pode fazer);
b) Asa (Gênesis 1:7) [עש] – fazer/formar a partir de uma matéria prima;
c) Yatsar (Gênesis 2:7) [יצר] – modelar/moldar (como o oleiro dando forma ao barro);
d) Banah (Gênesis 2:22) [בן] – construir (construção sobre uma base).
Enquanto o verbo “asa”, que designa um ato feito tanto por Deus quanto pelo homem, pois utiliza de um material pré existente, ocorre 2.538 vezes em todo o Tanach, o verbo “bara” possui 09 ocorrências no livro de Gênesis (1:1,21,27; 2:3,4; 5:1,2; 6:7) e em todo o Tanach, apenas 54 vezes.
Ou seja, bara é uma palavra especial. Isso porque é um ato que apenas Deus pode fazer. Ele é o único boreh, o único Criador (Isaías 40:28).
Mas o que Deus criou?
“... criou Deus os céus e a terra.” Gênesis 1:1
“Deus criou os grandes animais aquáticos, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie.” Gênesis 1:21
“criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gênesis 1:27
Como vermos nos versículos acima, Deus criou o Universo (céus e terra), a vida (animais aquáticos, aéreos e répteis) e o raciocínio (ser humano à imagem de Deus).
Note que a ordem de Deus fosse que o mar produzisse o corpo dos animais, ou seja, utilizou matéria prima, mas a vida (alma vivente) Deus gerou nesses animais.
O mesmo se deu com o homem. No desenho ao lado, vemos o exemplo dos dois verbos: Primeiro Deus o fez (asa) modelando o barro (material pré-existente) e, depois, além de gerar vida, criou (bara) nele o que nada no restante da criação possui: a Sua imagem e semelhança.
“... a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.” Romanos 4:17b
Ninguém, além de Deus, tem esta capacidade.
Isso é uma pedra de tropeço para os que não querem acreditar em Deus, pois eles não aceitam que algo pode surgir do nada, mas não podem explicar de onde surgiu tudo que hoje existe. É mais lógico Deus, que é onipotente, onisciente e onipresente ter criado tudo, do que um Universo limitado ter sempre existido ou ter vindo do outro universo que veio de outro e do outro e de outro “sem fim”...
A primeira lei da termodinâmica estabelece que a energia e a matéria não podem ser criadas ou destruídas. Elas podem transformar-se uma na outra, mas não podem ser destruídas. Isso foi estabelecido por Einstein e demonstrado em Hiroshima. Burris Jenkins expressou-se da seguinte forma: “Não podemos queimar nada completamente. Nós apenas mudamos seu estado de sólido a gasoso. Nem mesmo qualquer força ou energia pode ser destruída. Ela apenas muda de uma forma para outra.”
Se a energia está em todo o lugar no Universo e não pode ter uma origem natural, alguém a criou. O que ocasionou o tempo, a matéria e o espaço foi algo sobrenatural, e não natural.
“Todas as coisas foram feitas por Ele [Jesus], e sem Ele nada do que foi feito se fez.” João 1:3
“Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.” Romanos 11:36
“Porque nEle [Jesus] foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis,... Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele.” Colossenses 1:16,17
Para exemplificar, um escritor nos deu a seguinte tarefa: Entre numa simples folha verde, e vá penetrando na dimensão cada vez mais diminuta do infinito pequeno, até chegar num ponto onde mesmo o microscópio mais poderoso não consegue ver mais nada. Pois é exatamente ali, ou depois de dimensões ainda mais infinitamente pequenas, que começa tudo, exatamente onde para nós existe o NADA!
O Grande Colisor de Hádrons (LHC), que colide partículas que viajam a velocidades espantosamente aceleradas dentro de um túnel, cujas colisões são fotografadas em pontos estratégicos, tentando descobrir a origem do Universo. Mas é importante lembrar que isso não é criar nada! A máquina não tira algo a partir do nada!


Além de tudo, continuam dependendo de uma máquina. E se eles precisam de uma máquina de 27 km de comprimento abaixo da terra, ao custo de 4 bilhões de dólares, que tamanho precisará ter a máquina para criar a massa da terra? Do Universo inteiro? Mas se eles precisam de um gigante deste tamanho para “fazer surgir” algumas partículas de matéria, como conseqüência direta, para compor toda a massa do Universo, seria então necessária uma máquina maior do que tudo o que existe. Ela não caberia em todo o Universo conhecido! E quem a faria funcionar? De onde viria a energia para acelerar as partículas, fazê-las colidir e formar a matéria? O que produziu a instabilidade para que tudo explodisse no Big Bang? Quem apertou o botão da máquina criadora do Universo? Como pode o Universo estéril produzir vida? Engana-se quem acredita que esta máquina provaria a origem de tudo.
Aliás, a “partícula de Deus” (Bóson de Higgs) não foi criada pela máquina. Ela só foi encontrada ali no processo. E outra coisa: Essa partícula não cria absolutamente nada! Ela apenas une as partículas com massa existentes no espaço, produzindo volume. Isso não é criação!

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.” Apocalipse 4:11.


fonte: ameabiblia.blogspot.com/2013/.../o-nada-e-materia-prima-para-deus.htm.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Preconceito religioso no Brasil





Pode parecer absurdo que em momentos que nosso País desfruta da mais duradoura democracia de nossa história, com total liberdade de manifestação, registremos casos de flagrante perseguição religiosa, totalmente na contramão do aprimoramento das instituições com respeito a todas correntes de pensamentos.
Quanto à Igreja como Instituição, relembrando Palavras de Jesus "Esta é a minha Igreja e o inferno não prevalecerá sobre Ela", estou tranquilo, mas Ele deixou implícito quando ressuscitou Lázaro que o que compete ao homem devemos fazer, portanto lutemos para denunciar e reprimir esses abusos, que deturpam a interpretação da lei para manifestar esse nefando comportamento em relação aos Cristãos Evangélicos.
Vamos aos fatos: o Pastor Melquisedec Nascimento também Capitão da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro está sendo processado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro porque teria infringido a Lei 7716/89 que trata de preconceitos, entre outros, o religioso, por ter afirmado a um Cidadão que professa a fé Muçulmana, "só há um caminho para a salvação Jesus Cristo”, o qual disse "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim", e que um muçulmano não pode participar de qualquer movimento brasileiro Cristão, seja político ou religioso, salvo se aceitar a fé Cristã, ora, qual religião que aceitaria em seu meio alguém, sem antes verificar se realmente esse pretendente entendeu os fundamentos da nova religião que pretende abraçar e que esteja disposto a abandonar antigos dogmas? Sem que isso possa em sã consciência configurar nenhum tipo de preconceito, e sim apenas diferentes ponto de vista Teológico, só isso.
Também eu, por postar nas mídias sociais um ensinamento bíblico que trata das abominações me expressei quanto aos sentimentos homoafetivos que podem levar ao ódio ao crime e a rejeição, sem, no entanto, incitar ninguém a isso o que não seria o papel de um Pastor, o ex Procurador Geral da República Dr. Roberto Gurgel propôs processo contra mim também com fulcro na Lei 7716/89 no seu art. 20 que não prevê preconceito contra a orientação sexual, mas o Douto Procurador justifica alegando que o termo da lei que diz preconceito engloba qualquer tipo de preconceito, o que cria sérios precedentes, pois, se alguém disser nesses mesmos termos algo sobre algum esporte de contato como as lutas "vale tudo" estarão cometendo crime de preconceito na visão daquela Autoridade.
Em tempos passados os estudiosos do Direito se debruçavam sobre o texto da Lei à procura de algo nas entrelinhas, entre outras particularidades, o chamado "Mens Legislatore", ou seja, o que pensaria o legislador no momento em que elaborava seu labor, hoje pela dinâmica das comunicações e o uso do linguajar coloquial essa ciência caiu em desuso e a interpretação da Lei se faz de forma literal, e como já disse pinçar apenas uma palavra no caso "preconceito" e aplicar de forma genérica a meu ver, salvo melhor juízo, trata-se de um flagrante abuso de autoridade, por parte de quem é imbuído da Sagrada Missão de Guardião da Lei .
Vou apresentar um Projeto de Lei para corrigir o art 20 da Lei 7716/89, para deixar bem claro o texto que o legislador aprovou, com os tipos de preconceitos amparados e impedindo que seja usado o termo, preconceito, de forma genérica e aleatória. Com isso intimidando na clara tentativa de impedir a livre manifestação e interpretação da Palavra de Deus ministrada nos Púlpitos de nossa Pátria, com a Espada de Dãmocles pairando sob um tênue fio sobre nossas cabeças, pois a Bíblia é eivada de ensinamentos que preservam a Família, a Nação e, sobretudo a fé conservando a essência Divina com a qual nós seres humanos fomos agraciados pelo Próprio Deus.
Finalizo pedindo que todos brasileiros se unam numa só voz em oração para que não venhamos a assistir o que vem ocorrendo em outras partes do Mundo, com a intolerância religiosa por partes de grupos que tentam de todas as formas descristianizar o mundo tornando-o alvo fácil de dominações totalitárias, e que Deus derrame sobre todos as mais especiais bênçãos dos céus


Brasília-DF, 22 de julho de 2014.



 

Deputado Federal Pastor Marco Feliciano
 Membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias PSC/SP

domingo, 21 de setembro de 2014

O QUE MAIS FALTA A JESUS?...




Paulo nos diz que a letra mata [mesmo que seja letra da Escritura…]; que o exercício que tenta ver mágica de revelação na exegese, é tolice [prova disso é o modo como ele “usa” as Escrituras do Antigo Testamento]; que qualquer “interpretação” que não seja via Encarnação, ou seja: centrada exclusivamente em Jesus — é engano religioso que presume ler tudo o que foi dito como “interpretação correta”...
Como poucos [...] Paulo entendeu que o Evangelho era Jesus e que Jesus era o Evangelho; e que tudo o mais que tivesse havido e sido escrito antes, como “Escritura”, agora, depois de Jesus, depois da Encarnação, depois de Emanuel: Deus conosco — teria que ser submetido ao espírito de Jesus, ao espírito do Evangelho; pois, na Velha Aliança se poderia invocar a Deus para que mandasse fogo do céu para consumir os adversários, mas, em Jesus, a mesma idéia antiga de “poder espiritual”, fora completamente banida, repreendida e abominada por Ele, que, ante tal proposta de piedade perversa [que eu chamo de peidade...] feita por João, apenas respondeu com a seguinte afirmação: “Vós não sabeis de que espírito sois!...”
Toda Escritura é inspirada por Deus e apta para o ensino, a correção e a educação na justiça” — dizia Paulo; embora, ao assim dizer, não transferisse para as Escrituras nada além do poder de testemunhar Jesus, no que [...] e se [...] ela desse testemunho de Jesus; posto que para os apóstolos [e João declara isso], “o testemunho de Jesus era o espírito de toda a profecia”; ou seja: a finalidade de toda a Palavra escrita [...] era ser apenas, agora, testemunho da verdade dos fatos do encontro entre a humanidade e Deus, e, depois, entre os hebreus e Deus, e, ainda depois, acerca de Israel como nação e Deus como o Senhor das nações; e, agora, em Jesus, era o testemunho que não se poderia entender antes de haver Encarnação; por isto, para Paulo, Jesus era a Chave Hermenêutica para a compreensão das Escrituras...
Assim, em Jesus, se tem a separação nas Escrituras de tudo quanto fosse circunstancial, passageiro, cultural, histórico, necessário ao tempo, de um lado, e, de outro lado, tem-se o que é permanente, o que é definitivo, o que é eterno, o que é Evangelho antes da manifestação histórica do Evangelho...
Depois de Jesus a Bíblia é a coletânea de livros nos quais se pode encontrar o testemunho histórico/profético acerca de Jesus, mas não se tem nada além disso...
Por exemplo, depois de Jesus a leitura se inverteu... Já não se lê as Escrituras em busca do Messias, mas, a partir do Messias se lê o todo das Escrituras; visto que, depois de Jesus, tudo quanto nãoseja Evangelho segundo o espírito de Jesus, ainda que esteja escrito na Bíblia, caiu [...], segundo Paulo e o escritor de Hebreus [...], em estado de obsolescência e caducidade...
Sim, Jesus é tudo; e quem não considere Jesus assim [...], ainda não entrou no reino do entendimento segundo Deus.
Este é um fato ante o qual não há barganhas a propor...
Ou é assim..., ou, então, ter-se-á tudo com a grife Jesus, mas de Jesus mesmo não se terá nada...
Há, todavia, aqueles que se escandalizam quando digo que Jesus é o Único Verbo, a Única Palavra Eterna; e que o mais... [a Bíblia toda], é testemunho humano, inspirado; sim, testemunho dessa esperança ou dessa fé, mas não é nada..., além disso...; visto que em Jesus, e não na Bíblia, é que estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento...
Sem tal visão tudo é idolatria...
Sim, a Bíblia vira ídolo, as Escrituras ficam maior que Jesus, e as doutrinas da “igreja” se tornam a “etiqueta comportamental de Deus”, conforme definida pelos homens...
Ou seja: porque deixou de ser assim é que herdamos a desgraça do “Cristianismo de Constantino”, que é o que se tem como “igreja” e “crença” em Jesus até hoje; mas que nada tem a ver com o Evangelho; posto que tudo tenha sido construído a partir da Bíblia como livro e dos “mestres” como decodificadores da revelação; e, em tal caso, Jesus tinha que se harmonizar com o todo da Escritura, e não a Escritura se harmonizar a Jesus [...].
Para os apóstolos, no entanto, se requeria a coragem de deixar de fora tudo quanto não coubesse mais [...] ante o avanço revelado da vontade de Deus encarnada em Jesus.
Esta é a coragem de ruptura que também se demanda de quem quer que queira tornar-se discípulo de Jesus, e de Jesus somente...
Você tem outra pretensão?...
Ora, nossa única pretensão deveria apenas ser o tornarmo-nos cartas vivas [...], evangelhos de carne e sangue [...], epistolas de reconciliação [...], escrituras feitas de inscrição no coração...
Sim, pois em Jesus, tanto como promessa feita pelos Profetas, como também mediante o Seu próprio Prometer aos Seus [todos] discípulos — está dito que todos os que Nele cressem seriam evangelhos andantes [...], cartas hebréias em sua mobilidade no caminho [...]; ao ponto de Paulo declarar que nosso chamado é para sermos cartas vivas, escritas pelo Espírito do Deus vivente; cartas essas vistas e lidas por todos os homens, mediante os nossos atos de amor, e nossa visão tomada pela mente de Cristo, que é o Evangelho.
Doutrina certa segundo Jesus é vida vivida em amor...
O que passar disso é Cristianismo, não Evangelho!
Pense nisso!


Nele, que é tudo que como tudo eu precise nesta vida ou em qualquer outra forma de existência,


Postado por Caio Fábio


domingo, 7 de setembro de 2014

Sete de Setembro - Independência do que?


 




Existe uma máxima que escuto desde os tempos de colegial que o Brasil foi liberto das “garras” de Portugal, conquistando assim a sua independência...
Hoje, adulto, convivendo num cenário melancólico de submissão, conformismo e escravidão, tanto na vida física, quanto na espiritual, chego à conclusão que nada mudou daquela época para cá... Estamos num círculo vicioso!!!

Promessas de campanhas lançadas sempre com os mesmos pretextos e, em contrapartida, cidadãos comuns se submetendo a migalhas e se corrompendo por um prato de lentilha (analogia). 
Não estou querendo fazer um discurso religioso (até porque abomino religião), mas, como sempre cito em alguns comentários: “se a solução estivesse apenas na força do homem, já estaríamos vivendo num paraíso aqui na Terra”.
 
Não existe um modelo de Sociedade Perfeita para os homens sem a presença do seu Criador!!!

Grandes homens e pensadores tentaram esta “proeza”, tais como: Thomas More (Utopia), Platão (A República) e Karl Marx (Manifesto Comunista), porém, todos estes sistemas de colonização tinham algo em comum que chega a ser redundante conhecendo a essência humana: favoreciam seus interesses e dos seus!
Pensamento meu que o homem evoluiu tecnologicamente, mas, na sua essência, continuam cometendo os mesmos erros primários dos nossos ancestrais... Se o homem fosse capaz de conseguir isso pela própria força, certa doutrina teria razão e, por fim, a bíblia já estaria obsoleta! Não se iludam... Sem DEUS não existe liberdade! Não me refiro a alienação religiosa, mas, a liberdade de se fazer servo-livre (parece um paradoxo mas totalmente aceito no mundo espiritual) do Kyrios (Senhor de nossas vidas) e confiar que ELE sempre terá uma resposta confiável, imparcial, perfeita e desprovida de interesses...Feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor (Salmos.33, 12).
A liberdade começa na alma, ego ou mente (psique) para depois externar e praticar entre os seus... Não se muda uma cultura da noite para o dia... Precisamos hoje ter e assumir uma mudança de comportamento, um pacto com os verdadeiros valores cristãos, caso contrário seremos como aquela geração que Deus libertou da tirania do faraó mas que passou 40 anos (tempo médio para mudança de tradições pagãs) andando em círculo (vicioso) por não dar ouvidos ao Seu Criador. Façamos isso e num futuro próximo colheremos o que Deus sempre desejou para os seus: O MELHOR DESTA TERRA!

Independência? Só com uma vida voltada para Jesus! Para Jesus e não ídolos (quer sejam homens; quer sejam demônios) e falsos deuses!

Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura (Isaías 42:8).

Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra (2. Crônicas. 7, 14).

Bom dia!


Sérg10 Gomes

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Cristo, superior aos anjos!




Hebreus 1.4-14; 2.1-3 4 – Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. 5 – Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? 6 – E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. 7 – E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo. 8 – Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino. 9 – Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu como óleo da alegria, mais do que a teus companheiros. 10 – E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 – eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 – e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 – E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 – Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?
Hebreus 2.1-3 1 – Portanto, convém-nos atentar, com mais diligencia, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas. 2 – Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3 – como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram”.
INTRODUÇÃO: Na Antiga Aliança, os anjos eram muito considerados. Na epístola aos Hebreus, o escritor ressalta, de modo enfático, a superioridade de Cristo em relação aos seres angelicais e, ao mesmo tempo, afirma que Ele, ao se encarnar, fez-se “um pouco menor que os anjos” (Hb 2.9). Nesta lição, estudaremos alguns aspectos importantes dessa superioridade, entendendo esse paradoxo numa análise exegética simples.

I. MAIS EXCELENTE EM SUA NATUREZA E NO SEU NOME
1. Os anjos na Bíblia. Os anjos tiveram papel muito importante entre o povo de Deus no Antigo Testamento. (Ver Gn 19.1,15; 28.12; Êx 3.2; 23.20; Sl 103.20). No Novo, não foi diferente. Um anjo apareceu a José, revelando o nascimento sobrenatural de Jesus (Mt 1.20); um anjo removeu a pedra do sepulcro de Jesus, após sua ressurreição (Mt 28.2). Hoje, há uma verdadeira idolatria em torno desses seres celestiais. A Bíblia adverte: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos” (Cl 2.18).
Outras referências demonstram claramente a ação dos anjos, não só em favor de Israel, mas de todos os servos de Deus, em todo o mundo (cf. Sl 34.7).
2. A natureza dos anjos (vv. 7.14). O texto bíblico nos revela alguns aspectos relativos à natureza dos anjos. No v. 7, lemos que Deus “de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo”. É uma citação de Salmos 104.4. Eles são ministros usados por Deus segundo a sua vontade, submissos a cada convocação sua, portanto, ficam muito aquém da natureza e das funções do Filho de Deus. Por maiores que sejam os anjos, em comparação com Cristo são apenas bafos de ventos e fagulhas de fogo. Eles são criaturas. Jesus é Criador, inclusive dos anjos (ver Jo 1.3). No v. 14, os anjos são chamados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.

II. A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO AOS ANJOS
1. Declarado Filho de Deus, gerado pelo Pai. No v.5, o escritor indaga: “a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”. Estas perguntas trazem em seu bojo a afirmativa de que Cristo é superior aos anjos, por ter sido gerado pelo Pai. Ver também Rm 1.4. O escritor sacro reporta-se a Salmos 7.2, que diz: “Recitarei o decreto: O SENHOR me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei”. Essa questão é realmente difícil de entender. Sendo Deus, em que sentido Jesus poderia ser gerado? A resposta está no grandioso milagre e ministério da sua encarnação, incompreensível à mente humana, que só entende um pouco das coisas terrenas.
2. O Filho pela ressurreição. O escritor Lucas, no Livro de Atos, declara: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Meu filho és tu; hoje te gerei” (At 13.32-33). Sem ter deixado jamais de ser Deus, Jesus foi apresentado ao mundo publicamente, como Filho de Deus, na ressurreição. Veja o que Paulo diz: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos – Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.4). De fato, se Jesus tivesse feito milagres, mas não houvesse ressuscitado, ninguém poderia crer que fosse o divino Filho de Deus (Ver Mt 3.17; 17.5; Rm 1.4). Seria como Buda, Maomé, Chrisna, etc.
3. O Filho deve ser adorado pelos anjos (v. 6). “E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”; “...por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra” (Sl 89.26, 27).
4. Jesus está à direita de Deus (v. 13). Esta é a posição de honra, dada somente a Cristo, e a ninguém mais: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”. Estevão, quando estava sendo martirizado, contemplou Jesus à direita de Deus (cf. At 7.55).
5. Jesus é Rei, Messias e Criador. No v. 8, lemos: “Mas do Filho diz: ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino”. Aqui o Filho é chamado Deus, como de fato Ele o é, além de ser também Rei, cujo cetro (símbolo da autoridade real) é de retidão. Os anjos não têm poder de reino ou soberania. Nos vv. 9-12, vemos que Jesus é apresentado como o Ungido, o Messias, e, ao mesmo tempo, como Aquele de quem a terra e “os céus são obra” de suas mãos. O v. 13 prossegue exaltando a superioridade de Cristo como o vencedor, pondo seus inimigos debaixo de seus pés.

III. A GRANDE SALVAÇÃO EM JESUS
1. Advertência contra o desvio (v. 1-3). Depois de apresentar o quadro da superioridade de Cristo em relação aos anjos, o escritor aos Hebreus é levado a advertir os destinatários da carta (e a nós, também), quanto “às coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas”
(v. 1). E explica que, se “a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição”, indaga solenemente: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (v. 3). Esta salvação, trazida por Jesus Cristo, não foi efetivada por meras palavras, e sim, autenticada por Deus, por meio de “sinais e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo...” (v. 4). Quem se desvia da sua fé em Cristo, corre o risco de perder-se para sempre (v. 3).
2. Jesus, homem, um pouco menor que os anjos (2.7-9). Esse é um aparente paradoxo encontrado na carta aos Hebreus, relacionado à encarnação de Cristo. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. A dedução é simples, Jesus, feito homem, despojou-se voluntariamente de parte de seus atributos, e sujeitou-se a morrer, na cruz, para que “provasse a morte por todos”. Nessa condição, em sua natureza humana, tornou-se “um pouco menor que os anjos”. Se não fosse assim, a sua natureza divina não o permitiria morrer, pois Deus não morre.

IV. JESUS, O FIEL SUMO SACERDOTE (2.9-18)
1. Tudo existe em função dEle (v. 10a). Para Jesus são todas as coisas, visto que elas existem por Ele e para Ele (Cl 1.16). E assim é, para que Ele traga “os filhos à glória”, e, pelas aflições, se tornasse “o príncipe da salvação deles” (v. 10b). Os filhos, ou seja, os que o receberam, deu-lhes o poder (o direito) de serem feitos “filhos de Deus” (Jo 1.12), e são chamados por Cristo de “irmãos”
(v. 11). É sublime a declaração de Cristo, em relação aos que são salvos por Ele. No v. 13, Ele diz: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu”. Esses são livres do “império da morte, isto é, do Diabo” (v. 14), e da servidão (v. 15).
2. Em tudo, foi semelhante aos irmãos (v. 17). Para poder cumprir sua missão salvadora, Jesus, “em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8). Assim, “feito um pouco menor que os anjos”, entregou-se a Deus para, como “fiel sumo sacerdote”, expiar os pecados do povo (v. 17).
3. Em tudo foi tentado (v. 18). Em sua condição humana, Jesus, o Filho do Homem, suportou a tentação, “para socorrer aos que são tentados”. Esta é uma afirmação consoladora para nós, os crentes, que durante a caminhada na Terra, somos acossados e ameaçados por várias tentações. Nosso Deus, Jesus, não foi em sua missão um deus alienado dos seus adoradores e fiéis, como prega o deísmo. Pelo contrário, Ele se colocou no meio dos pecadores e, como eles, foi tentado até à cruz para lhes dar vitória sobre as tentações. Na verdade, Ele, “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). Glória a Deus, por isso!

A superioridade de cristo em relação aos anjos excede em muito a idéia distorcida, e difundida entre os incrédulos, de que os seres angelicais têm papel místico, a ponto de serem venerados ou mesmo adorados pelos adeptos das falsas doutrinas.


 Pr. Elias Ribas